Espiritualidade corporativa e a “magia das elites”

Há duas coisas que me motivaram a redigir este texto. A primeira foi uma polêmica nas redes sociais causada por conta de uma certa arroba famosa – cuja identidade não vale a pena registrar, mas basta dizer que tem o mesmo sobrenome que o arquipicareta que se diz filósofo e é guru do desgoverno – que fez recentemente um post “good vibes” no Instagram sobre a pandemia[1] e que, óbvio, deixou todo mundo com o mínimo de bom senso incomodado. A outra coisa é a série de textos do John Michael Greer em seu blog em que ele analisa a ascensão do Trump pelo viés do ocultismo. Os textos do Greer – uma série de 4 posts, começando neste link, mais tarde desenvolvidos ainda mais na forma de um livro com o título The King in Orange, que deve sair em maio este ano – são uma imensa viagem. Eu não sei ainda o quanto eu concordo com ele, mas é certamente uma leitura interessante. E uma das coisas interessantes nestes textos é o conceito de magia das elites, ou magia da aristocracia ou magia dos excludentes, de que ele trata e de que vamos falar aqui.

Primeiro, porém, é preciso esclarecer o sentido em que o Greer usa o termo e como eu também o estou adotando para este texto.


Eu roubei essa imagem de um texto no site do Goop sobre “como usar o poder do chakra da Coroa”. Sim. É um texto tão ruim quando era de se esperar [2].

Um pouco de história

A separação de classe sempre foi uma forma bastante produtiva de se observar como as sociedades enxergam a magia, o que também envolve outras questões importantes como as fronteiras porosas entre magia e religião e os tipos de práticas que são aceitáveis e que são proibidos. No Egito helenizado, para dar um exemplo, sabemos que os principais autores do material nos PGM eram sacerdotes oficialmente ligados aos templos, que também trabalhavam como magos para clientes particulares. Ou seja, era uma forma de magia bastante elitizada, pois não era qualquer um que tinha as iniciações e treinamento desses. Nos templos babilônicos, igualmente, a prática mágica era domínio de sacerdotes e escribas – e estes consideravam tudo que constava em suas tabuletas de argila, às quais pouquíssimas pessoas teriam acesso[3], conhecimento secreto e esotérico.

Na Europa cristã, seguindo nos rastros deixados pelos romanos (que odiavam magia, astrologia e outras coisas do tipo) e pelos primeiros cristãos queimadores de livros[4], podemos dizer que o monopólio mágico era detido pela Igreja, para pôr as coisas em termos ridiculamente resumidos. Pense no que é um exorcismo, por exemplo, e como o rito católico não difere em essência de seus antecessores na Babilônia e nos PGM como o Maqlû ou a Estela de Jeu. Mas esse monopólio, é claro, nunca conseguiu impedir o povão de continuar suas práticas de tradição oral, geralmente utilizando elementos da religião oficial combinados com técnicas que, se não são universais, são recorrentes o bastante para ter chamado a atenção de figuras como Sir James Frazer, o autor do Ramo de Ouro, responsável por cunhar o termo “magia simpática” (sympathetic magic). No Brasil e em Portugal temos e sempre tivemos curandeiros e benzedeiras, mas os ingleses tinham os famosos cunning folk, e há outros equivalentes em toda a Europa, pessoas que manjam das coisas e que, diferente das bruxas, acabaram não sendo condenados, porque eram considerados úteis para a comunidade – ao passo que as bruxas eram acusadas de estragar o leite, causar perda de lavouras e outras desgraças.

A relação entre a magia popular e a religião oficial sempre foi complexa, conforme a postura ortodoxa oscila entre a condenação, a tolerância e, por vezes, até mesmo adoção oficial de certas práticas. Pense em tradições como colocar uma estátua de Santo Antônio num bolo servido aos fiéis no seu dia, que certamente não tem origem na Bíblia, nem entre seus grandes exegetas. Como eu já comentei no texto sobre demônios, no medievo, a magia do povão era considerada superstição, um delito menor, “coisa de gente simples e ignorante”, mas tudo começa a mudar na virada para a era moderna. A postura eclesiástica, porém, é muito menos conivente com a prática de conjuração de demônios – também uma forma de magia de elite, pois 1) depende de livros, enquanto a maior parte da população era analfabeta e 2) era praticada, às escondidas, por padres. E aí, se esse tipo de coisa já era motivo para excomunhão antes, tudo piora muito depois da Reforma, conforme conjuradores de demônios, bruxas e bruxos vão sendo todos jogados no mesmo balaio (e na mesma fogueira). A Igreja aos poucos vai perdendo o que tinha de mágico, e a magia das elites é obrigada a operar de maneira, bem, oculta, seja por medo de perseguição ou por medo do ridículo e ostracismo – William Westcott, por exemplo, um dos fundadores da Golden Dawn, foi descoberto e acabou tendo que abandonar a ordem, porque ou era isso ou ser mandado embora de seu cargo de respeito. Pense nas inúmeras sociedades secretas que surgem no século XVIII, entre maçons, rosacruzes, martinistas e outros, que também serviram de modelo para a Golden Dawn e praticamente todas as ordens mágicas.

A aristocracia contemporânea

Acontece, no entanto, que a tradição esotérica ocidental, apesar de historicamente elitista, acaba sendo, ironicamente, a linhagem de pensamento mágico mais aberta hoje em dia. Se você sabe ler e interpretar textos, então parabéns! Você já pode praticar magia nessa tradição. Por isso ela é tão popular nos meios de ocultismo contemporâneo. A maçonaria e práticas mágicas legítimas ainda são interessantes para os poderosos, especialmente aqui no Brasil – e eu cito o exemplo do Michel Temer, que não apenas é maçom como também é bem documentado que ele consultou um pai de santo antes da votação do impeachment. Mas, voltando a Greer e o seu conceito de magia aristocrática, não era disso que ele estava falando no seu texto, cuja ênfase é na elite dos EUA – e que acaba sendo importante, porque as modas desse povo acabam volta e meia sendo importadas por aqui.

Alguma vez no seu serviço já pararam tudo para fazer uma sessão de “Yoga” ou para “meditação” (sobretudo mindfulness)? Então você já teve um contato íntimo com essa linha de magia das elites. Isso não é uma crítica a práticas de Yoga e meditação em si, óbvio, mas ao modo como essas coisas foram apropriadas pela cultura corporativa, “cuidadosamente privadas de seu conteúdo moral e religioso originais”, como diz Greer. Há quem possa se opor e dizer “ah, mas isso não é magia”… o que é exatamente o que eles querem que a gente pense. A obsessão corporativa gira em torno de “inovação” e por isso coisas que remetam à magia mais hardcore, espíritos, anjos e tudo o mais, pegam muito mal. Agora Yoga e meditação são recomendados e aceitáveis, porque “seus benefícios são cientificamente comprovados”. Isso não apaga o fato de que são técnicas mágicas, derivadas de tradições mágicas – e vale lembrar que, como aponta David Gordon White [5], iogues na Índia medieval eram temidos por terem a fama de feiticeiros capaz de roubar o corpo dos outros.


Imagem do site da Tribal Village, um projeto de comunidade gringa na Guatemala. Tem circulado um vídeo do TikTok fazendo propaganda desse grupo no Twitter… com o meme “they literally said ‘no Guatemalans, just vibes'”. Esta foto do fundador, eu acho, diz tudo.

O problema é que a magia das elites contemporâneas é uma coisa muito difusa, o que complica a discussão, porque não é como se fosse possível pegar um livro só e encontrar tudo lá. Mas algumas características recorrentes são bastante comuns:

  • Mau uso “meritocrático” da Lei da Atração e da Lei do Karma. Esse é um favorito dos privilegiados, porque é uma epistemologia que permite que eles justifiquem a própria riqueza de forma espiritual. Na própria cabeça deles, eles quiseram muito alguma coisa, e o Universo os considerou dignos disso (pois muito especiais), e assim aconteceu. Agora se você está pobre e fudido, é porque 1) ou você não merece riqueza (talvez você tenha sido uma pessoa ruim na vida passada!) ou 2) você não está desejando o bastante as coisas que você quer. É extremamente simplista, mas funciona porque esse tipo de pensamento abomina qualquer nuance.
  • Autopoliciamento constante dos próprios pensamentos. Se para atrair as coisas, é preciso desejá-las muito, então você precisa passar o seu dia tendo essas coisas em mente e evitando pensar nas coisas que são indesejáveis. Eis aí uma empreitada que está fadada ao fracasso, porque não é assim que o pensamento funciona. Não pense num elefante azul. Pronto, você provavelmente pensou num elefante azul. É muito fácil ter um surto com esse mecanismo, ainda mais quando combinado com…
  • Aversão a sentimentos negativos. Você não pode sentir raiva das coisas, nem ficar triste porque está tudo uma merda (temos 3000 mortos por dia), porque isso tudo é sinal de que você não é “evoluído”, e essa energia negativa vai atrair mais coisas negativas. Então esses sentimentos não são reconhecidos e processados devidamente e sim ignorados… até estourarem na cara de alguém. Serenity now! Insanity later, como já vimos com a obra profética Seinfeld.
  • Apropriação de práticas exóticas. O Ocidente é visto como um lugar espiritualmente degradado, por isso é preciso buscar orientação na sabedoria de outros lugares com fama de serem depósitos de conhecimento místico. Com frequência, este lugar é o Oriente, por isso o interesse em Yoga, meditação, Zen-budismo e Tantra, mas de vez em quando a inspiração vem dos povos nativos das Américas, como se observa com as experiências dos brancos com peyote, Ayahuasca, rapé e outras substâncias, além de apetrechos xamânicos. Teve uma época também em que a Cabala já esteve na mira, graças ao infame Kabbalah Centre[6] e as celebridades que ele atraiu. O fato é que essas práticas são, via de regra, removidas de seu contexto original, replicadas sem o devido treinamento, misturadas de um jeito que até caoísta fica perplexo e às vezes são nocivas também para os povos de quem elas são roubadas[7].
  • Imitação do discurso científico. A ciência é a principal autoridade do Ocidente, mas a ciência real é um processo tedioso e cansativo de produção de conhecimento, como qualquer bolsista da CAPES ou CNPq pode atestar. As pessoas dizem que amam a ciência, mas gostam é de espetáculo, de gente que fala bonito e de ter razão, de poder encher a boca para falar que “estudos científicos comprovam x, y e z”, sem compreender coisa alguma da metodologia por trás de como esses estudos são feitos (e podem, no limite, ser usados para “comprovar” qualquer coisa). E esse pessoal se aproveita disso. Por esse motivo, é mais interessante para eles falar em física quântica, por exemplo, que tem um alcance maior para afetar esse público desencantado do Ocidente, do que em espíritos, que remete a superstições.
  • Egocentrismo. Tudo gira em torno do seu “eu”, da sua personalidade, do seu eguinho. Fato, o trabalho espiritual costuma ser solitário, porque é um trabalho que ninguém pode fazer por você, mas isso não quer dizer que se trate de um esforço egoico, porque, pelo contrário, o esforço é direcionado a algo maior que você. O eufemismo New Age favorito para esse algo maior é o Universo… o que é vago o suficiente para que qualquer resposta para a pergunta “como se conectar com o Universo?” seja igualmente vaga.


Talvez muita gente fique meio contrariada de eu incluir o “Reiki Xamânico” aqui no meio dessa picaretagem toda, mas se você parar para pensar um pouco, além de ser uma mistura bizarra, é bastante zoado que todos os lugares que a gente vê onde ele é praticado, todo mundo é branco e fica usando essas imagens de indígena norte-americano.

Passando por todos esses elementos, há o fio comum da deturpação de conhecimentos ocultos tradicionais e já bem documentados, misturado com o que tem de pior e mais simplório na literatura de autoajuda. A Lei do Karma é um assunto incrivelmente complexo no Oriente, por exemplo, discutido pelos maiores sábios do hinduísmo e do budismo. Eu mesmo não me arrisco a dizer um ai sobre o assunto, porque o que eu sei é muito raso, mas uma abordagem extremamente rasa para esse pessoal já basta, porque não há um interesse legítimo em entender as coisas e sim em usar esse conhecimento como uma arma epistemológica, por assim dizer, e justificar as desigualdades do mundo – o que qualquer um há de reconhecer como o oposto do que essas tradições fazem, que é dar uma ênfase enorme na prática da compaixão.

Também a aversão a pensamentos e sentimentos negativos tem alguma base em práticas ocultas reais: como eu já disse nos textos sobre limpeza energética e formas-pensamento, sim, é preciso prestar atenção aos sentimentos e pensamentos para sabermos lidar com eles, mas não desta forma. Se você segue um caminho espiritual – e práticas de autopurificação e refinamento da personalidade costumam fazer parte de várias tradições –, você já deve ter observado uma melhora em certos padrões de comportamento destrutivos que talvez você tivesse e não tem mais. Como tudo, no entanto, é algo que ocorre como resultado de um longo processo. Forçar-se a parar de ter pensamentos e sentimentos negativos do nada só vai fazer você surtar… mas é o tipo de comportamento que todo chefe ama instaurar nos empregados. Você não pode dizer que uma ideia é imbecil e que seu chefe é um filho da puta de te fazer trabalhar no feriado se você for proibido de ter esses pensamentos e sentimentos negativos.

Tudo, no fim, gira em torno de um fato muito simples: esse tipo de espiritualidade, de magia, é feito sob medida para uma classe privilegiada. Diferente de formas mais práticas de magia, seja a magia do Hoodoo ou dos PGM, que perdura e se desenvolve porque funciona e faz coisas acontecerem, essa magia não precisa funcionar na prática, porque seu público já tem tudo (e há sempre uma resposta pronta para quando o pensamento positivo falha: você não pensou positivo o suficiente). Acontece que os privilegiados sempre estarão em busca de comprar mais experiências, e sempre vai ter quem venda. A espiritualidade também é um tipo de experiência, e um caminho espiritual legítimo é difícil e trabalhoso… mas muito fácil de emular com a estética correta (e mais ainda se incluir o uso de psicodélicos).

Greer resume bem a questão quando diz, no final do primeiro texto:

Alguns críticos culturais menosprezam essas coisas, considerando-as uma forma menos química de tranquilizante. E, apesar de ter sim uma ponta afiada nessa cutucada, essa não é a história toda. A magia dos privilegiados existe para convencer seus praticantes de que não há nada de errado no mundo, que tudo está como deveria estar, e que quaisquer problemas remanescentes irão embora no tempo certo, assim que as reformas corretas forem passadas e as pessoas corretas forem eleitas. É uma ferramenta que auxilia os confortáveis a continuar confortáveis pela exclusão das realidades indesejáveis.

E, de novo, algo real é deturpado. Obter paz de espírito é uma parte importante do trabalho mágico – pela minha própria experiência, eu só fui começar a ter paz de espírito real, pela primeira vez na vida, após começar o meu caminho espiritual. Mas tem uma diferença entre a paz de espírito que te remove de um estado reativo que resulta em pânico, desespero e inação e permite que você aja, de preferência para ajudar os outros, e uma paz de espírito que permite que você durma bem ignorando a desgraça alheia.

Se esse tipo de crença ficasse restrita a pessoas muito ricas, então, assim como as chucas de café da Gwyneth Paltrow (o que é real, aliás, e custa 135 dólares), seria só excentricidade de rico, mas não: diferente da riqueza, para roubar o termo do Reagan, it trickles down, se espalhando pelo meio corporativo e por toda a cultura New Age contemporânea. Em momentos de crise, como o que vivemos nos últimos anos, a tendência é que mais pessoas busquem práticas mágicas, esotéricas e espirituais no geral, por isso essas coisas são um perigo. Quando a arroba famosa em questão de que eu falei no primeiro parágrafo apresentou seu post como “um post otimista no meio do caos”, reproduzindo várias platitudes alinhadas com essa visão descrita ao longo deste texto, é certo que ele não estava querendo só ser “legal”, mas sim ajudar a reproduzir essa visão. Afinal, é muito cômodo você procurar algo espiritual e esbarrar nessa espiritualidade corporativa que serve aos interesses da elite – ou, pelo menos, é cômodo para eles.

Para encerrar e talvez assoprar um pouco depois de bater, se podemos enxergar algum lado bom nisso tudo é que, para quem nunca teve contato nenhum com essas coisas, uma sessão diluída de mindfulness ou Yoga na empresa pode servir de introdução ao assunto. Mas se qualquer um desses temas te interessa – meditação, Yoga, Tantra, xamanismo, Cabala –, então você faria bem em deixar esses picaretas para trás e procurar a coisa de verdade, ir direto às fontes, ler o material autêntico e aprender com os instrutores que estudaram de forma legítima. Um equívoco comum para quem é novo no rolê é achar que, porque a magia é “irracional”, a gente tem que desligar o cérebro e tratar tudo como revelação e dogma – quando, na verdade, é justamente nessa área que o pensamento crítico se faz mais necessário.

* * *

[1] Para melhorar, logo foi demonstrado que a figura em questão é bolsonarista. Todo o post parece ser calculado para jogar um pano molhado nas questões incendiárias do momento (como o misto de incompetência e malevolência do governo que resultaram na completa devastação que essa pandemia tem causado neste país amaldiçoado). Pessoal nem disfarça o cinismo.

[2] Em todo este texto sobre como abrir o chakra da coroa, a autora não fala em nenhum momento sobre a prática mais básica de abrir a coroa que é simplesmente rezar. Claro, esse tipo de coisa pega mal. De todas as coisas que ela indica no texto, apenas a última, a visualização, é minimamente eficaz. Note também a abordagem fast food à prática.

[3] Há algumas discussões sobre o grau de letramento na antiga Mesopotâmia, pois aparentemente parte da população tinha domínio o suficiente para fazer registros contábeis e talvez ler e redigir cartas simples, mas a literatura, poemas, hinos, textos mágicos e “científicos” eram domínio de uma elite de escribas. Sobre o assunto, recomendo o livro do Karel van der Toorn, Scribal culture and the making of the Hebrew Bible.

[4] Vide a cena em que os convertidos ao cristianismo em Éfeso queimaram seus livros de magia, tal como registrado, pelo menos supostamente, em Atos 19:19.

[5] Ele fala dessas questões em seu livro Sinister Yogis. Não confundir com o caoísta Gordon White!

[6]Tem uma matéria interessante da Vice sobre o assunto, neste link. Aparentemente todas as celebridades abandonaram o barco, por conta do grau de exploração financeira da organização. E, de quebra, ainda teve escândalos sexuais.

[7] De novo, uma matéria da Vice, desta vez em português, comenta como o comercialização de Ayahuasca está acabando com o cipó e dificultando a vida dos nativos que originalmente fazem uso do seu chá.

5 comentários Adicione o seu

  1. Pedro disse:

    Ótimo texto Frater Abstru! Esse sempre foi uma das minhas áreas de interesse, religiosidade e esoterismo e política, e o texto tocou em temas do meu interesse. Deixo uma dúvida e uma sugestão, existem escolas/práticas mais instituídas associadas publicamento com as Esquerdas/Comunismos/Anarquismos? Fora algumas pessoas de destarque como Moore, alguns caoístas brasileiros do início dos anos 2000 e boa parte dessa geração atual que tem acesso ao oculto através da internet/mídias sociais. Vamos ver como isso se comportará no futuro.

    A minha sugestão acaba sendo na direção de pedido de um texto ou esclarecimentos é em torno desse movimentos tradicionalistas, fora os católicos, os demais parecem transitar em torno do cerne da alta magia ocidental porém com uma base política extremamente conservadora não consigo muito bem ainda desenvolver um corpo em torno desse pensamento.

    Curtido por 1 pessoa

    1. fraterabstru disse:

      Muito obrigado, Pedro!

      Cara, eu fiquei pensando nisso desde que li o seu comentário, e reparei que tinha umas figuras importantes do século XIX que puxavam mais para o que reconhecemos hoje como uma esquerda progressista do que qualquer outra coisa. O Éliphas Lévi (ninguém menos!) era socialista e também tinha vários nomes importantes da Golden Dawn, como a sufragista e revolucionária irlandesa Maud Gonne e a feminista Florence Farr. Fora da magia, mas ainda dentro do misticismo, tem a Simone Weil, que era uma mística de esquerda, revolucionária e tal. Eu vi que tem um livro, do Gary Lachman, Politics and the Occult, que parece ser interessante, e eu vou dar uma olhada nele depois.

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      1. fraterabstru disse:

        Obrigado pelo comentário, Kananda!

        É isso mesmo. O último lugar que eu trabalhei era assim também. E a menina que dava aula de Yoga vivia falando em “desmistificar o Yoga”, o que me fazia revirar os olhos.

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      2. Pedro disse:

        Abstru mais uma vez muito obrigado pela resposta viu! Muito interessante o que você apontou e eu realmente desconhecia, excelente que também afasta o pensamento de ocultistas eminentemente de direita.

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  2. Kananda disse:

    Eu sou muito crua no assunto magia, espiritualidade e estou aqui para aprender, o curioso esse texto me lembrar de uma certa companhia que eu trabalhei que tinham várias druzas espalhadas pela empresa, formando símbolos e toda terça feira tinha mindfulness e yoga. Não sei se é a mesma coisa mas ao ler esse texto me conectei com essas memórias.

    Enfim, vou seguir na jornada de entender melhor ou pelo menos tentar!

    Obrigado pelo texto.

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