De antemão, preciso avisar que este vai ser um texto em que vamos tentar falar de coisas muito complicadas, que encheriam e já encheram diversos e diversos volumes… mas eu vou tentar falar disso dentro do contexto de um texto de blogue e mantendo uma linguagem acessível. Então, óbvio, só vamos conseguir triscar a superfície. O que também pode já ser bastante coisa.
Várias vezes eu falei em textos aqui d’O Zigurate sobre a importância do que eu chamo de “conexão com o Divino”. É uma das minhas três prioridades para qualquer iniciante na magia (junto com dominar um oráculo e técnicas de higiene energética). É um elemento crucial da autoridade espiritual. É a única coisa capaz de trazer paz de espírito duradoura neste mundo de inconstâncias e impermanência. Mas o que isso quer dizer de fato? Bem, vamos lá.
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RECADINHO ANTES DE MAIS NADA: eu ainda não abri a minha agenda de cursos d’O Zigurate em 2026, mas a Maíra estará oferecendo o curso Nível Básico de Pranic Healing no fim de semana dos dias 23 e 24 de maio no Instituto Pranaterapia São Paulo. Informações e inscrição neste link.
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Poesia e misticismo
Vou começar a discussão falando de poesia. Óbvio, a poesia é o domínio da discussão dos assuntos difíceis de se discutir. Tem um poeta da primeira onda do romantismo inglês chamado William Wordsworth (1770 – 1850), conhecido por ser o “poeta da natureza”. A relação que o romantismo inglês vai estabelecer com a natureza é um tanto revolucionária, porque a natureza para eles não é apenas um pano de fundo, umas arvorezinhas para decoração, mas um centro de poder, e muitas vezes um poder numinoso e avassalador, diante do qual o ser humano consegue ter uma noção de sua própria pequenez. Eu gosto demais dessa pintura do Turner (abaixo) por causa disso, aliás: ela transmite esse sentimento de fragilidade humana como poucas obras conseguem. Na poesia de Wordsworth a gente observa essa potência num poema como “Tintern Abbey”, ou em Coleridge, com seu “Kubla-Khan”, ou o “Mont-Blanc” e o “Alastor” de Shelley. Mas esses são poemas mais longos, e eu prefiro citar aqui um texto mais simples e curtinho. Do contrário vamos ficar aqui até amanhã.

Tem um poema de Wordsworth cujo título é “I wandered lonely as a cloud” (Vaguei solitário como uma nuvem, literalmente), composto entre 1804 e 1807. Não vou citá-lo na íntegra, mas vocês podem conferir o original aqui e uma tradução para o português neste outro link1. Lendo hoje, ele parece até meio bobo a princípio: o poeta encontra uma multidão de narcisos à beira de um lago, “dançando na brisa”, e essa visão acaba sendo impressa em sua alma com tamanha força que, só de lembrar da cena depois, sentado em sua solidão, seu coração se enche de prazer. Os narcisos à sua vista assumem uma dimensão cósmica, ele os compara com as estrelas na Via Láctea e a sua contemplação absorve todo o seu ser, inclusive calando os pensamentos (“I gazed—and gazed—but little thought”).
Muita gente lê isso e pensa, “Nossa, que bobagem, é só um monte de florzinha”. Sim, mas a questão é que o que Wordsworth está descrevendo ali é, em essência, uma experiência mística. O que ele –ou melhor, seu eu-lírico – viu não foi só um “monte de florzinha”, mas o que Martin Buber descreveria como uma experiência relacional, um Tu ali2. Você poderia dizer, sem exagero, que o que ele viu nas flores não foi nada menos do que Deus. Por um momento, houve uma limpeza das suas portas da percepção – um termo que veio de outro poeta do romantismo inglês, aliás, o mais ostensivamente místico William Blake – e ele viu as coisas como são: infinitas. O próprio Blake também colocaria isso em termos parecidos em “Augúrios de Inocência”:
To see a world in a grain of sand
And a heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand
And eternity in an hour–
(Enxergar um mundo num grão de areia
E o céu numa flor silvestre,
Deter o infinito na palma da mão
E a eternidade numa hora)

Esse tipo de experiência é meio que o lugar-comum da poesia do romantismo em diante, a tentativa de transmitir em palavras uma experiência intransmissível, que incendeia toda a alma do eu-lírico dos poemas. E é tão lugar-comum que tem até um texto do Rubem Alves que explica a coisa.
Eu vou deixar claro que eu não gosto do Rubem Alves como escritor. Acho o que ele escreve cafona e didático… mas às vezes o didático é útil e serve, pelo menos, para demonstrar a ubiquidade e o alcance de um dado conceito. Tem um texto dele chamado “A complicada arte de ver”, de 2004, que trata exatamente disso (embora em tons didáticos e cafonas, risos). Nessa crônica, uma dona de casa visita um médico achando que está ficando louca porque um dia cortou uma cebola e teve “a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica”, ao que o médico explica para ela que ela não ficou louca, mas que “ganhou olhos de poeta”. Claro que existem vários tipos de poetas – uma categoria que abrange a Emily Dickinson, o Sousândrade, o Marinetti, os irmãos Campos e a Maya Angelou é muito ampla, afinal. Porém, dentro do guarda-chuva mais amplo da poesia, existe uma variedade significativa de poetas que tratam, ainda que de forma secular, do que são experiências essencialmente místicas, momentos em que é arrancado o verniz do mundano, para então a beleza essencial do mundo nos atingir em toda a sua plenitude.
A você que está me lendo agora, eu espero que já tenha tido algo parecido com essa experiência. Do contrário, a conversa fica mais difícil, meio como tentar explicar para alguém o que é um orgasmo. Você precisa passar pela experiência.
Beleza, eu falei de poetas, agora vamos falar de místicos. Existem místicos que são poetas, pessoas que tiveram a experiência mística e escreveram sobre isso, como Rumi e Blake – não tem muito como fugir também, porque a experiência mística só pode ser discutida em termos metafóricos e simbólicos, que são o reino do literário e, mais especificamente, do poético. E existem também poetas que são místicos ou que, pelo menos, se apropriam do discurso místico. Se Wordsworth de fato teve a experiência descrita no poema não é importante para a crítica literária, porque o que é interessante é a forma usada. Agora, dentro do esoterismo, pelo menos o Aldous Huxley, que também transitou entre esoterismo e literatura, era da opinião de que Wordsworth e os outros românticos tinham sim uma sensibilidade espiritual aguçada3. E há quem aponte para uma influência sufi sobre o romantismo, aliás. Como comenta o pesquisador William Chittick, autor de The Sufi Path of Knowledge, citando Ibn al-Arabi, os santos são “aqueles que olham e reconhecem Deus aonde quer que olhem. O verso do Corão ‘Tanto o levante como o poente pertencem a Deus e, aonde quer que vos dirijais, notareis o Seu Rosto’ (2:115) torna-se a descrição de seu estado espiritual”.
Em todo caso, o misticismo é um fenômeno curioso, porque, embora as pessoas usem como um termo genérico para qualquer coisa esotérica, ele descreve, na verdade, uma experiência específica, como a famosa transverberação descrita por Santa Teresa d’Ávila (link aqui), que teve a visão de um anjo que perfurava seu coração com um dardo de ouro abrasado, causando nela um misto de dor e êxtase indescritíveis. Óbvio, a tendência das pessoas comuns ao lerem esse relato é dar risadinhas por conta de uma insinuação de um elemento sexual ali. Tem isso também, mas é burrice achar que esse relato se reduz puramente a algum tipo de sublimação sexual. O ponto é que é uma experiência de êxtase que vai tocar ali no inefável, nos limites da linguagem. As pesquisas sobre misticismo no geral vão tratar nesses termos, basta dar uma olhada no The Varieties of Religious Experience, de William James, ou em A Cabala e seu simbolismo, de Gershom Scholem. E o motivo de a experiência mística ser, no limite, a experiência do inefável tem a ver com a natureza do Divino como o que está fora da realidade, não no sentido de ser irreal, mas de ser mais real do que o real.
O Divino como mar
Essa é uma metáfora que eu uso sempre em aula. A não ser que você esteja lendo este texto num avião ou num navio, você deve estar em terra firme agora (ou vai estar em breve). O ser humano, enquanto um macaco pelado, é um animal feito para habitar a terra firme. Ele até consegue se virar até certo ponto na água, mas não é um bicho aquático e não consegue competir com qualquer animal marinho. Muitos de nós, aliás, se alguém nos atirar no mar, provavelmente vamos morrer afogados. Pensando por um certo viés, o mar é o limite da terra: se você pegar uma reta em qualquer direção, em algum momento esse caminho vai dar no mar. Nossa experiência terrestre está circunscrita pelo mar. Igualmente, o que eu chamo de “o Divino” é o limite da nossa experiência material. Assim como somos animais terrestres, somos também seres orientados pela materialidade – os nossos sentidos são feitos para perceber o mundo material. Se o Divino é o que está além, é natural que tudo fique bugado quando saímos desses limites.

Eu não sou apegado a rótulos, por isso eu estou chamando aqui de “o Divino”, mas se quiser chamar por outros nomes, é válido também. O sagrado. O numinoso. A base ou fundamento da realidade. A realidade definitiva. E assim por diante. E o que é curioso sobre o fenômeno do misticismo, enquanto esse contato com o Divino, é que ele não é restrito a uma única tradição. Existem místicos cristãos, cabalistas e sufis, místicos hindus e budistas, taoístas e até mesmo místicos seculares, pelo menos dentro do âmbito poético/artístico (Alejandro Jodorowsky é talvez o grande exemplo contemporâneo do místico secular). Voltando um pouco ao tema da poesia, aliás, um estudo que eu recomendo imensamente é a tese da dra. Michelle Shete, da Universidade de Wollongong. O título é The perceptive poets: a comparative study of Jal lu’-Din Rín Rúmi, Sant Kabír, Mastuo Bashó and William Blake (link para o download no site da universidade aqui), que é o estudo de quatro poetas de tradições muito distintas, mas que vão trabalhar com essa percepção de um estado mental de apreensão do Divino4.
Isso não quer dizer que todas as tradições conceitualizem a experiência como sendo a mesma coisa. Quem vai fazer esse tipo de afirmação é o pessoal da filosofia perene. Embora esse argumento tenha sua utilidade (é útil para fomentar tolerância entre tradições em momentos de tensão cultural), eu acho complicadíssimo reduzir toda a multiplicidade das tradições, que têm séculos de divergências entre si, a um tipo de identidade primordial. Por isso, prefiro dizer que há uma aproximação. Para puxar de novo a metáfora do mar, talvez possamos falar que a experiência mística ou divina é como chegar na praia. Existem praias e praias, e uma praia do Rio de Janeiro não é como uma praia do Rio Grande do Norte. Mas o mar está lá.
Para falarmos em termos mais palpáveis, as práticas que promovem o contato com o Divino são aquelas que vão trabalhar o chakra da coroa, chamado em sânscrito de Sahasrara. Como a gente entende no Pranic Healing, os chakras são estruturas de nosso corpo energético que processam a nossa força vital (prana/qi). Quando recitamos uma prece ou cantamos um mantra, quando meditamos ou invocamos uma força superior, quando refletimos sobre a realidade divina de todas as coisas, esse chakra é estimulado, e isso é literalmente palpável (na escola, a gente aprende a medir os chakras com as mãos). Quando fazemos práticas espirituais, é por meio dele que desce a energia divina ou sustento espiritual – falamos disso anteriormente no texto sobre os corpos sutis, aliás. Isso tem efeitos palpáveis na forma de sensações “físicas”: a sensação de pressão no topo da cabeça ou de algo se abrindo acima da cabeça, formigamento, sensações de frio ou calor, uma leve tontura. Eu geralmente não explico isso de antemão nos meus cursos, para as pessoas não acharem que estão sendo influenciadas. Primeiro a gente faz as práticas e depois – olha só, que surpresa! – os efeitos relatados são esses mesmos.
Importante frisar que esse comportamento do chakra da coroa não é exclusividade de uma única tradição. O chakra da coroa vai ser estimulado não importa se você recita um salmo, entoa um mantra a uma deidade hindu ou bodhisattva, reza uma prece hermética ou taoísta ou canta um hino a uma deidade pagã ou um ponto de Orixá. Havendo condutividade e trabalhando com uma tradição bem estabelecida5, haverá conexão, haverá a expansão da coroa.

Há efeitos psicológicos também a curto e longo prazo. Cito de novo o Echols, que eu citei no outro texto, ao falar do sustento espiritual: quando trabalhamos a nossa coroa, “nós nos sentimos mais leves, mais felizes e mais contentes; também nos preocupamos menos com as coisas que, no fim das coisas, não importam (redes sociais, dramas de relacionamento etc)”. Podemos fazer uma outra analogia com o corpo físico, porque, assim como um músculo, quanto mais você exercitar a sua coroa, mais forte ela se torna, o que vai intensificar a sua experiência. O contrário também é verdadeiro: quando você rejeita a espiritualidade e se apega à vida material, quando você afirma que só o corpo físico existe, quando você se põe numa situação de antagonismo com toda a existência, isso enfraquece o seu chakra da coroa, o que, por sua vez, vai negar a possibilidade da experiência mística. E aí vem o ciclo vicioso, porque quanto mais fechada a coroa, mais difícil é ter a experiência do Divino, logo, mais fácil é se afundar no buraco da existência puramente material. Romper esse ciclo é um desafio tremendo.
A sensação de paz interior que a prática espiritual oferece e que é impactante a princípio já é altamente desejável, assim como o poder que interessa a qualquer praticante de magia (não existe magia de alto nível sem isso). Mas tem mais uma coisa envolvida no trabalho com a coroa: eu falei no último texto, sobre a mudança interna, que a gente tem um propósito a ser cumprido nessa vida. O que viemos fazer aqui é descobrir qual é esse propósito e então agirmos para realizá-lo. Isso fica infinitamente mais fácil quando trabalhamos esse chakra. A conexão com o Divino é a conexão consigo mesmo, mas com aquela parte de nós que não é o nosso ego pequeno e temeroso, mas sim a parte mais elevada, que está próxima do Divino e conectada com tudo. Quem desenvolve esse trabalho a sério vai, aos poucos, cultivando essa paz interior (mesmo quando o mundo lá fora está caótico6) e esse senso de propósito.
Passando tudo a limpo, então: o que eu chamo de o Divino é aquilo que está além da nossa realidade material e que é a base definitiva da realidade. Às vezes, as pessoas podem ter a experiência espontânea do contato com o Divino. As várias tradições espirituais terão termos diferentes para conceitualizar a experiência desse contato, conforme quadros teóricos e símbolos próprios. Essas tradições também vão desenvolver técnicas para trabalhar isso, e as técnicas terão efeitos semelhantes nos corpos sutis dos praticantes, comparativamente. Elas podem ser usadas para desencadear uma experiência mística, mas o principal delas é o fato de fortalecerem o chakra da coroa, por meio do qual se obtém o sustento espiritual. Essa experiência é acompanhada por certas sensações físicas e psicológicas e, ao longo prazo, facilita a realização do seu propósito, promove a expansão da consciência e fortalece a pessoa enquanto praticante de técnicas espirituais.
Isso, em resumo, é o que eu tenho em mente quando falo em conexão com o Divino. É importante frisar que o termo não descreve um evento isolado: embora a gente entenda que, quando existe a experiência mística, pode-se falar que aí aconteceu uma conexão, o relevante é como essa conexão é mantida e sustentada7. Afinal, é muito fácil enxergar o Divino em todas as coisas no auge de uma meditação poderosa. O desafio é manter esse estado de espírito pegando o ônibus lotado. É possível, mas não é fácil.
Pelo fato de existirem várias tradições válidas e, com elas, várias formas de conceber e se conectar com o Divino, é crucial que cada pessoa procure aquela tradição que faz sentido para si, com as práticas e preces que entram em ressonância com o seu âmago. É trabalhoso. A forma mais simples de se fazer isso é por meio de uma rotina de Meditação dos Corações Gêmeos – por isso que a gente é tão entusiasmado com a escola do Pranic Healing. Mas é legal também descobrir o seu próprio caminho, e todo empenho que a gente aplicar nisso é recompensado.
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- No caso, se trata de uma tradução poética, tentando manter os efeitos textuais de ritmo e rima. Existe uma outra tradução publicada no volume O olho imóvel pela força da harmonia, mas eu não gosto. ↩︎
- Na crítica literária, quem faz essa leitura dos românticos pelo viés buberiano é Harold Bloom. Seu livro The Visionary Company é interessantíssimo. ↩︎
- Huxley fala disso em seu A filosofia perene, capítulo IV. No caso dos poetas românticos, essa percepção teofânica, como argumenta o autor, não necessariamente se traduziu em alguma dedicação à vida espiritual ou à virtude (embora possa acontecer). É possível ter essa experiência de forma meio gratuita. ↩︎
- Para quem tem interesse na interseção entre o misticismo e a poesia, eu indicaria, além da leitura dos românticos que mencionamos e dos poetas que Shete pesquisa (Rumi, Blake, Bashô e Kabir), também a poesia de São João da Cruz, de Omar Khayyan, de Mirabai e Rabiá de Baçorá, Walt Whitman, Baudelaire e Rimbaud, Fernando Pessoa, Murilo Mendes, Hilda Hilst e Orides Fontela. ↩︎
- Antes que chegue a galera do relativismo absurdista que parte da ideia de que o que importa é a “crença”: não, rezar para o Superman ou para Lúcifer não vai ter esse efeito. Eu já testei. Sinto muito. É por essas e outras que, embora não despreze o trabalho com espíritos ctônicos ou até mesmo infernais, eu não considero a dita mão esquerda ocidental um caminho espiritual válido. ↩︎
- E convenhamos: o mundo sempre esteve caótico. A gente só não tinha notícias de lugares distantes em tempo real o tempo inteiro. ↩︎
- O trabalho de cultivar essa conexão, aliado com a mudança interna e o cultivo de virtudes na prática, em termos éticos, é o que a gente chama de desenvolvimento espiritual. ↩︎
