Avaliando sinais: a médio e longo prazo

Há algumas semanas eu publiquei um texto chamado Avaliando Sinais, que falava da importância de prestar atenção no que está acontecendo quando você realiza alguma prática mágica, mais especificamente no que acontece enquanto você faz as coisas. E também tinha algumas dicas gerais sobre como lidar com essas percepções, visões e tudo o mais. O texto foi escrito pensando em quem está começando e ainda é meio cético e/ou não tem muita confiança e pode achar que não está fazendo nada. Bem, normalmente você vai descobrir que sim, você está fazendo algo, uhul!… Mas isso é metade do caminho. É preciso ter certeza que o que você está fazendo é benéfico, e este é o tema deste texto.

Isso parece meio óbvio, mas um breve passeio pela internet mostra que não é o caso. O que não falta é gringo “entusiasta do paranormal” que sai por aí fazendo merda só para ter experiências bizarras e depois fica surpreso que a vida dele virou um desastre do nada. E, bem, eu não sou a mãe de ninguém, e se você quiser muito fazer merda, você está no seu direito… mas aí é recomendável ter alguém para desfazer depois. Por isso, já se prepara porque aí sim vai vir o sermão quando essa pessoa tiver que limpar as sujeiras.

Uma regra intuitiva a princípio é a de que práticas benéficas fazem você se sentir bem. E, OK, até dá para se orientar mais ou menos por aí. A Meditação dos Corações Gêmeos, por exemplo, é boa e poderosa, e todo mundo que pratica percebe os benefícios na hora e também a longo prazo. E em contrapartida, práticas danosas devem fazer você se sentir mal, correto? 

O Phil Hine conta, no texto “Rites that go wrong”, uma anedota da vez em que ele e amigos tentaram brincar de Goécia sem bola de cristal, sem círculo e sem triângulo, só com visualização, e deu ruim, o demônio não apareceu direito e todo mundo ficou com uma sensação de “ressaca da alma”, como ele descreveu. Eis aí um sinal bem claro. E tem um caso, relatado neste site de uma tenda de umbanda, de uma moça que fez amarração usando as 13 “almas benditas” e começou a ter sua paz perturbada, a TV ligava e desligava do nada, a casa estava cheia de vultos, as plantas todas morriam. Enfim, o pacote completo. Deu uma canseira no Exu que foi depois lá limpar.

Rembrandt – A Festa de Baltazar, ilustrando a cena no livro de Daniel (cap. 5) em que uma mão escreve uma mensagem na parede

De novo, não é necessário ser nenhum adepto experiente para entender o que aconteceu… mas é preciso ter um tanto de bom senso para reconhecer o problema e intervir. Filme de terror sobrenatural sempre tem a típica família branca de comercial de margarina que se muda para uma casa onde teve alguma atrocidade e aí começa a aparecer bicho morto, escorrer sangue pela parede, as crianças ficam endemoniadas, a máquina de lavar começa a falar, e só aí eles passam a ter uma leve suspeita de que tem algo errado. Não sejam essas pessoas. Se você fez algo que não devia, conjurou um espírito suspeito, adquiriu um objeto potencialmente amaldiçoado ou, sei lá, ofendeu um dos poderes da terra (pode acontecer), pare e procure alguém que manja antes que as coisas fiquem ruins de verdade. Isso, claro, não é a regra e costuma demorar um pouco, mas se deixar, pode sim acontecer umas desgraças estranhas, tipo alguém da família começar a sofrer de uma doença inexplicável, alguém surtar (no melhor estilo Johnny em O Iluminado), a casa pegar fogo, etc.

Mas há casos que são um pouco mais complicados e menos óbvios, e aí por esse motivo é importante prestar atenção não apenas no momento do ritual e nos dias imediatamente seguintes, mas dentro de uma janela maior de tempo. Seis meses é um bom prazo, eu acredito, e aí ter um diário mágico para anotar o que você faz e o que vem acontecendo ajuda muito no diagnóstico. 

Vamos ver agora dois casos para ilustrar essa questão.

Sujeiras e sujeiras

O site da Quareia, de que falamos duas semanas atrás, tem um módulo só sobre os diversos tipos de seres mágicos (é 6º do curso de aprendiz, “types of beings”). Na lição 4 desse módulo (“parasitas”), a Josephine McCarthy conta uma história interessante. Ela tem um conhecido chamado Frank (nome fictício), que é o típico ocultista de uns 30 e poucos anos que é inteligente, mas faz tudo sozinho, sai misturando um monte de coisa e ainda junta com elementos de cultura pop (no caso, a mitologia de um jogo de videogame). Josephine não fala em termos de “mediunidade”, como nós entendemos aqui, mas como ela descreve há um potencial nesse sentido que não está sendo desenvolvido direito, o que o torna vulnerável — uma vulnerabilidade que é agravada pelo seu histórico de problemas com transtorno bipolar[1].

Então, um belo dia, experimentando com técnicas visionárias, Frank decide tentar se conectar com alienígenas e — uau, veja só! — deu certo. Pelo menos é o que parece, a princípio. Ele obtém contato com esses seres e os efeitos parecem benéficos. Ele sai alegre, sentindo-se poderoso e invencível. Sua libido aumenta e ele passa vários dias com esse efeito, por isso decide trabalhar com esses alienígenas todos os dias… e aí começa a desgraceira.

Frank vai ficando esquisito. A libido alta deixa de ser saudável e começa a incomodar a sua mulher. Seus colegas de trabalho reparam que ele desenvolve uns hábitos estranhos, ele para de interagir com os colegas, fica falando sozinho, não consegue mais se concentrar no serviço, desenvolve tiques, fica batucando na mesa e fazendo um gesto como se estivesse enrolando alguma coisa, para de almoçar e, por isso, começa a perder peso. São sinais alarmantes já, mas calma que piora: Frank passa a desenvolver sintomas físicos também, brotoejas, suores, rinite atacada, diarreia e os tiques que começam com movimentos repetitivos dos dedos se agravam. Frank também não consegue dormir direito, não mais do que 3 horas por noite. Há mudanças súbitas de humor, ele se irrita muito com pouca coisa e fica paranoico, com suspeitas quanto à sua esposa, e acha que todos estão falando mal dele. Seu “trabalho mágico” vai ficando bizarro, Frank passa a ficar obcecado com ele, especificamente com a ideia de categorizar metodicamente cada tipo de ser de acordo com uma hierarquia estrita com nomes, números e códigos. Num surto psicótico, Frank se declara um deus ou demônio de outro planeta enviado para destruir todo mundo. Por fim, a casa fica carregada também, há uma sensação constante de sujeira, as luzes acendem e apagam, tem portas batendo do nada, sons estranhos e um desconforto generalizado.

O que aconteceu aqui? Como entende a Josephine, Frank contraiu seres que ela chamou de “parasitas” (na Cura Prânica, o equivalente seriam “elementais negativos”). Ele acessa, sem qualquer proteção, um certo nível do astral onde os parasitas habitam, então essas criaturas se apresentam à vítima com base naquilo que ele queria encontrar. Frank tinha uma certa ideia de como seriam esses alienígenas[2] — e porque eles têm acesso a essa imaginação, eles se apresentam conforme o esperado. Há um efeito benéfico inicial típico desse contato, que serve para fazer com que a vítima queira voltar, e o contato prolongado agrava o parasitismo. A energia associada às emoções fortes sentidas por Frank serve de alimento para esses seres, e assim eles crescem, se desenvolvem e ficam bem fortinhos. Quando enfim alguém interviu e conseguiu tirar os parasitas, Frank dormiu por 20 horas direto. Foi preciso muito apoio de amigos, além de ajuda psiquiátrica, para ele conseguir se recuperar, mas a recuperação ocorreu, e esperamos que ele tenha aprendido a lição.

Eu gosto desse caso porque ilustra bem os perigos de se fazer as coisas à moda caralha, mas especialmente porque aponta que nem tudo nas místicas que dá uma sensação agradável imediata é positivo. Essas coisas podem se disfarçar daquilo que a vítima quer contatar — a Josephine, no seu livro sobre exorcismos, também conta de certos “anjos” que habitam centros New Age — e aí fica muito difícil estabelecer uma regra simples assim. É preciso observar as coisas dentro de um contexto mais amplo.

Agora vamos contrastar isso com um outro caso, que não é tanto uma situação específica, mas algo que a gente vem observando com alguma frequência. Entre a páscoa judaica, o Pessach, e o festival das tendas, Shavuot, tem um intervalo de 49 dias durante o qual se dá o chamado Sefirat HaOmer, a contagem do Ômer, uma prática a qual muitos cabalistas costumam aderir. Durante cada um desses 49 dias (noites, na verdade, pois a prática é noturna), o protocolo é que você recite certas preces e então medite sobre as 7 sefiroth inferiores da Árvore da Vida (entre Chesed e Malkut). Cada um desses dias equivale a uma combinação de duas sefiroth dentre estas 7: o primeiro dia é o dia de Chesed em Chesed, a misericórdia na misericórdia, “aprofundando-se no amor mais puro que a alma pode encontrar dentro de si mesma”, como descreve a revista Morashá. O segundo dia é de Geburah em Chesed, a severidade na misericórdia, “ou seja, a raiva ou julgamento que existe naquilo que se ama”, e assim por diante. Esses 49 dias também são equivalentes a 49 dos chamados 50 portões do entendimento, um outro conceito cabalístico meio complicado demais para glosarmos agora, mas sobre o qual você pode ler clicando aqui.

Os motivos para se fazer o Ômer são vários. Para os judeus, é claro, faz parte do trabalho de conexão com Deus e a ancestralidade judaica — a prática remete, afinal, ao período bíblico e conta como um dos 613 deveres (mitzvot) do judaísmo. Para os não judeus (e, sim, nem todas as práticas são permitidas para não judeus, mas esta pode), há também grandes vantagens para o seu desenvolvimento espiritual. Segundo o Rav Yonny Sack, a contagem do Ômer está associada ao ato de nos despirmos de nosso lado inferior, mesquinho, associado ao ego (yesh), que impede a experiência do divino. É um período de profunda purificação, portanto.

Por isso que é curioso que, segundo alguns relatos, a experiência do Ômer é tudo menos agradável. Tem muita coisa difícil, choro e ranger de dentes. Em alguns casos que me foram relatados, as pessoas observaram até mesmo a aparição de baratas em casa durante o período. Se você mora num lugar que normalmente tem baratas, tipo o centro de São Paulo, claro, isso não é surpreendente, mas os casos que me contaram eram pessoas que não costumavam ter problemas com barata. Nesses contextos, é um possível sinal de sujeira energética em casa — nada grave, coisa que se pode resolver defumando ou recorrendo a cristais, porém é uma sujeira perceptível. Mas aí, o que isso significa? Se é um período de purificação, por que é que está sujando a casa?

Bem, sobre isso, a Maíra já fez uma pequena thread no Twitter, que vale citar aqui, porque a comparação é ótima:

Imagina uma piscina sem uso. Ela vai acumulando sujeira, que vai se depositando no fundo, enquanto a água da superfície até parece ok. Aí decidem limpar a piscina e, no processo, toooda aquela nojeira do fundo se mistura com toda a água e vira tudo uma lama só. Aí tascam cloro, esfrega azulejo, aspiram o fundo, enfim, conseguem limpar a piscina. Mas o processo não é bonito. E no meio do caminho parece que está mais sujo que no começo. Alguns processos de limpeza energética parecem com isso. Antes de limpar de vez há uma “sensação” de que sujou mais, mas é só a sujeira que estava lá no fundo, parada, vindo pra superfície. Processos kármicos fazem isso demais. Mágoas encruadas por anos também. Mas está tudo bem. E tudo fica bem melhor depois que o processo de limpeza termina.

O caso do Ômer é um exemplo perfeito disso. Pode ser desconfortável, envolver choro e até mesmo sujar o seu espaço, mas é porque há coisas mais profundas sendo extraídas, e isso acaba sendo melhor para você. Práticas de perdão, como hoponopono, também têm esse efeito, bem como outras limpezas profundas. O processo de purificação nem sempre é gostoso, mas você nota a diferença depois.

Temos aí dois tipos de casos curiosos, portanto. No primeiro, houve um efeito imediato que envolveu sensações prazerosas, tudo entendido como positivo, mas com um crash depois, acompanhado de vários efeitos negativos, semelhantes inclusive à anedota da menina que fez amarração com as 13 almas. No segundo caso, o efeito é como um remédio amargo: não é legal na hora e acaba precisando tomar algumas precauções de limpeza, mas o efeito a longo prazo é positivo. Há distinções também na seriedade dessas duas práticas. A prática do Frank constituiu-se de qualquer jeito e ele estava pisando em território desconhecido — basicamente como alguém que entre no mato despreparado e acabe pegando carrapato. A prática do Ômer é uma prática já consagrada e bem conhecida de uma egrégora consolidada[3]. São coisas bem diferentes.

Como avaliar, afinal?

Com isso, no entanto, eu não quero que ninguém fique paranoico. Sim, é possível você achar que está se conectando com uma força superior, como um anjo ou um deus, e ser o equivalente, na verdade, a um carrapatão astral. Esse, aliás, era um medo real que eu mesmo tinha quando estava começando. De novo, é por isso que este texto se chama “Avaliando Sinais: a médio e longo prazo” — o que vai revelar a natureza real dessas forças com as quais você se envolve é o que acontece ao longo do tempo. Preste atenção nos resultados dos rituais que você faz: eles oferecem aquilo que você queria ou precisava? Ou ocorre o efeito “pata de macaco”? O exemplo clássico é você precisar de dinheiro e então sofrer um acidente grave e ganhar uma indenização. Existe a lógica de que a magia costuma se manifestar pelo caminho de menor resistência — por esse motivo é importante você fazer o trabalho mundano para oferecer os meios para a manifestação — mas espera lá, tem limites. Com magia bem feita, isso não é para acontecer. Apenas forças muito estúpidas ou maliciosas vão agir assim constantemente — e, se for o caso de você trabalhar com elas, é preciso saber como lidar.

Se você acha divertido trabalhar com forças que podem perverter o seu pedido, bem, bom para você, pode ser divertido, afinal assim você inclui mais emoção na sua vida, mas não é a minha praia. Eu acho meio coisa de gringo entediado, na real. A gente é brasileiro, porra, já tem emoção o suficiente no fato de o governo estar ativamente tentando nos matar. Se você tem mexido com algum tipo de magia que dá resultados desse tipo, eu recomendaria trocar e ir experimentar com outra coisa. Não é como se faltassem opções.

Despair, arte de Alex Grey

Ao mesmo tempo, tem gente que é boa em manifestar resultados práticos com magia, mas acaba sendo negligente com a parte do desenvolvimento espiritual. Dá para reconhecer fácil essas pessoas, porque os sucessos alimentam o ego e a pessoa se sente o bruxo fodão. E, assim, essa é uma sensação que você acaba tendo mesmo, tipo “caralho, olha isso que eu manifestei!”. Vale a pena curtir, porque é uma sensação boa, mas não deixe isso subir à cabeça (e nem fazer você passar vergonha nas redes sociais). É um sentimento como qualquer outro, que vem e passa. Deixar de lado a parte da conexão espiritual do trabalho mágico pode até ser possível num primeiro momento de contato com a magia, mas eu não acredito que seja sustentável a longo prazo. Na verdade, é contraproducente, porque o desenvolvimento espiritual não só te alinha com “o ritmo cósmico”, “o plano da alma” ou a “Vontade divina”, por assim dizer (a terminologia varia de acordo com a tradição), o que faz com que você precise recorrer menos a intervenções diretas na forma de rituais, como também fornece mais força para as ocasiões em que essas intervenções se fazem necessárias.

No geral, eu diria que há três níveis em que você deve prestar atenção para determinar se as suas práticas estão dando resultados desejáveis ou não. No primeiro nível, tem os seus arredores: como está a sua casa? Como estão as suas relações? Como estão as suas finanças?

Essa parte é meio complicada, porque eu não quero que ninguém leia e pense que ser rico significa automaticamente que a pessoa é espiritualizada ou muito boa em magia. De novo, eu já falei disso no meu texto sobre prosperidade, não preciso me repetir. Existem várias influências que pesam, a maioria das quais são sistêmicas. Mas, se você tem conhecimento de magia e não usa para melhorar as suas condições, dentro do possível, eu só posso perguntar: por quê? Os casos que me deixam mais abismado são o de pessoas como Spare, que viveu na mais pura esqualidez mesmo sendo, segundo relatos, um feiticeiro extremamente hábil.

Ao mesmo tempo, tem sido bem recorrente o caso de pessoas que eu observo que começam tratamentos energéticos (como com a Maíra, cof cof) e, de repente, várias coisas que estavam empacadas de dinheiro e carreira começam a andar. Só de se tirar esse tipo de obstáculo energético, muita coisa já se resolve.

Num segundo nível, tem a questão de saúde. Como está o seu corpo físico? É muito comum que práticas mal conduzidas (bem como também ataques mágicos e processos de parasitismo e possessão) acabem afetando a saúde, como vimos no relato sobre o Frank. Ao mesmo tempo, se você estiver fazendo as coisas direitinho, você deve estar se sentindo melhor de um modo geral em comparação com antes de começar. Mas, de novo, eu preciso frisar que a coisa não é preto no branco: estamos numa pandemia e nenhuma proteção mágica vai ser mais eficaz do que uma máscara PFF2. E pode fazer 15 horas de ritual menor do pentagrama + pilar médio por dia que isso não vai contrabalancear os efeitos de uma alimentação à base de Doritos e cigarro. E, no mais, sim, existem também condições preexistentes. Mesmo alguém do porte do Crowley passou a vida inteira lutando com a asma, por exemplo, e com o vício no remédio que era prescrito na época (heroína).

Por fim, num terceiro nível e mais sutil, tem a parte mental. Esse assunto é muito delicado, porque é fácil escorregar e falar asneiras, o que o pessoal do meio New Age costuma fazer com frequência ao simplificar as coisas a ponto da banalização. Se você tem algum transtorno nesse sentido — e o mundo contemporâneo se esforça bastante para que todos tenhamos, pelo menos, um problema com ansiedade — , é importante tratá-lo pelos meios convencionais. Se puder complementar o tratamento com um terapeuta energético e/ou com suas práticas espirituais, melhor ainda. O que não deve acontecer, pelo menos da minha perspectiva, é você começar uma prática e então observar alterações estranhas no seu comportamento, como aconteceu com o Frank. 

Isso pode ser sinal de estar fazendo o que não deve, mas mesmo práticas eficazes têm a capacidade de ressaltar problemas preexistentes. Quanto mais o nosso corpo energético se desenvolve, mais energia ele é capaz de receber e transmitir, mas se houver desequilíbrios na personalidade, estes serão energizados também. O exemplo mais clássico são os desequilíbrios ligados ao sexo, mas problemas com o ego e arrogância também são comuns. É por isso que vários programas de desenvolvimento espiritual vão tocar nessas questões de um jeito ou de outro, seja o programa do Bardon, da Golden Dawn ou a Yoga Arhática da Cura Prânica. 

Via de regra, porém, esses problemas costumam aparecer mais adiante no trabalho, e os efeitos mais imediatos de você adotar uma rotina espiritual, como a dos Corações Gêmeos todos os dias ou a rotina que eu delineio no texto sobre práticas diárias, costumam ser um abrandamento das sensações negativas ao nosso redor. A gente ganha alguma capacidade de lidar com as coisas como se estivéssemos menos envolvidos nelas, o que permite agir de forma menos reativa. Damien Echols, em Angels and Archangels, diz o seguinte:

Um benefício adicional de se receber sustento espiritual é o fato de que isso causa também um efeito profundo sobre nossa experiência do reino físico: nós nos sentimos mais leves, mais felizes e contentes: também damos bem menos importância a coisas que, no fim das contas, não importam (redes sociais, dramas de relacionamento, etc).

Considerando tudo pelo qual o Echols passou, todos os traumas e horrores da prisão, eu acho que a declaração dele tem algum peso de autoridade nesse caso. Eu diria ainda que essa é também a minha experiência geral (numa escala bem menor, claro). Não sinto a menor saudade da pessoa que eu era antes de começar as minhas práticas. Mas vale a pena apontar que ele descreve isso como um benefício adicional. É uma consequência. Se você tiver uma ideia estereotipada de como alguém espiritualizado deve se comportar e tentar imitar essa imagem mental, a contrapelo das suas emoções reais, por exemplo, ao sentir raiva e tentar reprimi-la, o efeito vai ser o oposto do desejado. Agora, se você tem problemas com raiva e começa um trabalho espiritual sério, de preferência acompanhado também por um trabalho mundano, você pode, dali um tempo, perceber que a sua raiva já não é mais um problema tão sério, que os acessos são menos frequentes. De repente, você descobre que consegue parar um possível acesso de raiva antes que ele leve você a dizer ou fazer coisas de que você poderia se arrepender depois. Isso é um progresso e vale ser comemorado.

No fim, a grande regra é que devemos prestar atenção. Olhe como você está agora e compare a como estava 6 meses atrás. E um ano? Dois anos? Se tudo estiver correndo bem, ótimo. A minha confirmação de que alguma coisa certa eu venho fazendo se deu porque a minha vida, em todos esses aspectos, melhorou assombrosamente em comparação a como era antes das minhas práticas. É normal ter alguns altos e baixos, mas nem se compara. O que não deve acontecer é as coisas piorarem progressivamente. Nesses casos, é preciso intervir, entender o que está acontecendo e agir de acordo. 

* * *

[1] Convém dar duas palavrinhas sobre a questão da espiritualidade e saúde mental: nada aqui quer dizer que a causa de transtornos é exclusivamente espiritual, OK? A psicologia entende o ser humano como um ser biopsicossocial, por isso as causas patológicas se encontram nessa interseção. Porém, é um fato que parasitas, elementais negativos, espíritos obsessores e qualquer outra forma de praga astral vai se aproveitar desse tipo de vulnerabilidade se tiver chance, o que dificulta, inclusive, o tratamento em termos mundanos.

[2] Eu não tenho muito interesse em contato espiritual com alienígenas, mas acho que, para quem gosta, é importante frisar o fato de que, apesar de a experiência de Frank ter dado errado, isso não significa que qualquer contato com alienígenas é, na verdade, um parasita disfarçado. Mas alguns são, com certeza, especialmente o tal do Ashtar Sheran.

[3] No caso, essa egrégora está associada a uma religião. Isso não quer dizer que todas as práticas das religiões são saudáveis e livres de críticas. A imposição cristã do celibato é um belo exemplo de uma prática danosa, com inúmeros resultados negativos no âmbito do indivíduo e da sociedade como um todo. Mas com frequência há técnicas aqui e ali que são eficazes e que sustentam a religião, apesar dos vários problemas.

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