Os tipos de textos esotéricos

A maioria das pessoas, quando começa a estudar magia, ocultismo e espiritualidade, não tem muito referencial. Óbvio, elas estão começando – é de se esperar que não tenham repertório, esse repertório ainda está sendo construído. O que se costuma fazer é pegar listas de recomendação de leitura, ou drives com .pdfs, e começar por aí. No geral, essas listas vão conter a obra da Blavatsky, do Crowley, da Dion Fortune, do Lévi, o Kybalion, e por aí vai. Às vezes entram alguns grimórios no meio também e outros textos mais práticos, do Lemegeton ao O Mago, de Francis Barret. Eu já falei anteriormente dos motivos pelos quais eu não recomendo começar pelos “clássicos” do ocultismo do século XIX ou começo do XX, que eu acho que mais confundem o iniciante do que qualquer coisa. Mas há um outro problema nessa abordagem, a saber: a não compreensão dos propósitos de cada obra.

Ou seja, se você quer aprender a fazer feitiços, um livro com uma pegada mais reflexiva, preocupado com o sexo dos anjos ou com questões de espiritualidade e moral, não vai ser o que você está procurando. Indo pela mesma via, pegar um grimório para ler quando você não tem uma base prática é uma grande perda de tempo, porque esses livros não costumam ser uma leitura lá muito emocionante por si só – a não ser que seja o seu interesse especial, hiperfoco ou algo do tipo. No entanto, entra tudo no balaio de “livros de ocultismo”, o que só serve para aumentar a perplexidade dos iniciantes.

Pensando nisso, eu elaborei uma tipologia textual que acho que pode ajudar. Eu gosto de dividir as coisas em categorias, e isso talvez sirva para dar uma luz para quem não sabe por onde começar. Eu cheguei a um sistema, portanto, que reconhece quatro tipos de textos esotéricos1: mitopoéticos, teológicos, mecânica esotérica e operacionais.

Relevo do palácio central de Tiglath-pileser III, em Nimrud, 728 a.C. O homem da esquerda é um oficial, enquanto os dois à frente dele são escribas, um anotando o que ele diz em acadiano, em cuneiforme, e o outro num rolo de pergaminho em aramaico.

* * *

SÓ PASSANDO AQUI rapidinho para anunciar que estamos com vagas abertas para a turma de 2026 do curso Magia Astrológica: Módulo I, que vai acontecer nos dias 13 e 14 de junho (inscrições aqui). Pronto, pode continuar a leitura.

* * *

Começaremos pelas bases de tudo: a primeira categoria em nossa tipologia é o que vamos chamar de textos de natureza mitopoética. É muitas vezes o material mais antigo que se tem acesso numa tradição, frequentemente sequer compostos como textos, mas constituídos a princípio a partir de tradições orais e registrados depois em algum sistema de escrita, frequentemente também sacralizado. Esse material não procura explicar as coisas de forma literal, mas recorrendo à metáfora e ao simbolismo. Exemplos incluem poemas como o Enuma Elish, o Épico de Gilgamesh e outras tabuletas da tradição mesopotâmica, entre mitos e hinos2, a Teogonia de Hesíodo e os poemas homéricos, os estratos mais antigos da Bíblia Hebraica, a poesia ameríndia, do Popol Vuh aos cantos da criação Mbyá-Guarani3, a antiga poesia védica, incluindo o Mahabharata, o Ramayana e os hinos, os itãs iorubás, o Hávamál nórdico e afins, e assim por diante.

O que esse material vai fazer é, resumidamente, dar o tom de uma dada tradição, estabelecer as características de suas forças divinas e sua relação com a humanidade, bem como os conceitos principais que intermediam essa relação, principalmente por meio de uma narrativa.

Por exemplo, quando a gente pensa na tradição grega, um tema importantíssimo é o de destino: vários personagens de sua mitologia são figuras que lutam com o próprio destino de um jeito ou de outro (Édipo que o diga), e frequentemente aparece o conceito de que o destino é uma força superior até mesmo aos deuses, como aparece no mito de Prometeu. Essa ideia, claro, não se aplica ao mundo judaico, que desenvolvia sua literatura meio que concomitante com o período do grego clássico. Para os antigos israelitas, é Iavé quem manda no destino de toda a criação e permite, inclusive, a Abraão e Sara que mudem seus destinos ao mudarem de nome (Gênesis 17). No entanto, nessas narrativas Iavé tende a ser representado de forma antropomórfica, com qualidades humanas, e pode ser às vezes tão caprichoso quanto Zeus em seus mitos. Há semelhanças ainda na abordagem ao tema do profetismo, sendo caro a ambas as culturas, e semelhanças na visão da pós-vida entre o Sheol hebraico e o Hades grego, bem como no modo como a relação com a divindade é construída, a exigência de sacrifício animal e as maquinações celestiais – compare a cena da assembleia divina em com as várias cenas de reunião dos deuses na Ilíada, por exemplo.

Mas o mais interessante é pensar nas imagens usadas como símbolos e ver como elas convergem e divergem: Iavé é a voz que fala do fogo da sarça ardente (Ex. 3), é a voz do redemoinho (38), associado ao relâmpago e tempestades (salmo 29), mas também com o arco-íris (Gen. 9), o símbolo de sua aliança com a humanidade; ele é quem dá a Lei, é um pastor (salmo 23) e um guerreiro (Ex. 15, salmo 24), mas também um leão (Oseias 13:7, Amós 3:8) e um destruidor de serpentes (salmo 74:13, Isaías 27:1, 51:9, 26:12); é o criador de tudo, que colocou o Sol, a Lua e cada estrela no lugar (Gen. 1-2); é um pai, mas igualmente um marido para Israel (que aparece no texto bíblico constantemente representado como uma mulher infiel e prostituta). Zeus partilha de algumas dessas imagens: assim como Iavé, é um pai e legislador, cujo símbolo é igualmente o relâmpago, mas suas associações animais são mais com águias, touros e cisnes, além dos carvalhos no reino vegetal (a oliveira é sagrada a ambos, no entanto, e o simbolismo de ungir com azeite de oliva aparece com significados parecidos). Em alguns mitos, ele é notoriamente mulherengo4. A função de guerreiro, quem pega são outras divindades do panteão (Ares, Atena), o arco-íris é símbolo de sua esposa, Hera, também associada ao pavão e vacas, animais ausentes da simbologia hebraica, exceto negativamente (vide o episódio do bezerro de ouro), enquanto os destruidores de serpentes são Apolo e Hércules. Enfim, dá para passar o dia inteiro fazendo esse exercício, observando as aproximações e divergências, e é o que muito da mitologia comparada vai fazer. Apontar para essas coisas às vezes rende só uma curiosidade boba, mas pode ser uma forma de entender de que modo ocorrem certos sincretismos.

Gravura mostrando a visão de Daniel das quatro bestas em Daniel 7

É importante apontar ainda que essa construção de um repertório imagético mítico não é exclusividade das religiões. Uma prática mágica como a bruxaria contemporânea tem também algo do tipo, os seus mitos e as suas imagens, mesmo que fragmentadas: o Diabo como Pai das Bruxas, senhor da encruzilhada e/ou deidade cornuda de fertilidade, a vassoura e certas ervas, a ligação com a natureza e o selvagem, a lembrança das bruxas queimadas na fogueira etc. Mesmo o pentagrama, embora não seja exclusividade da bruxaria, acabou ganhando essa associação. E aí cada tradição de bruxaria vai dar um jeito de costurar isso numa forma coesa, seja pelo viés religioso na Wicca, pegando emprestado conceitos da magia cerimonial, seja pelo viés mais “sinistro” de uma figura como Andrew Chumbley.

Agora, o material mitopoético tende a ser fascinante, mas não costuma ser exaustivo ou sistemático. Pelo contrário, ele tende a ter, na maioria dos casos, ambiguidades e deixar margem para interpretação. Pior, no caso da mitologia, existem até mesmo versões contraditórias de um mesmo mito.

Voltando ao material bíblico do Antigo Testamento: a interpretação feita desse material diverge, dependendo de quem está lendo. Existem leituras judaicas, leituras cristãs, leituras gnósticas. Para o judaísmo, a deidade que aparece nessas narrativas e poemas é o Deus supremo e único Deus, benevolente e perfeito, que criou o mundo e a humanidade e deixou suas leis ao mesmo tempo para todos e para os judeus em específico, cujo cumprimento tem consequências individuais e cósmicas. Para os cristãos, esse é igualmente o único Deus, o criador, benevolente etc, mas ele rescinde a lei e a substitui pela graça com o sacrifício de seu único filho, que é ele mesmo também, o que torna esse material, até certo ponto, obsoleto para muitos cristãos (cf. o conceito de supersessionismo). Para os gnósticos – ou para alguns sectos gnósticos, melhor dizendo, – essa deidade seria, na verdade, um falso deus, um demiurgo maligno que cria o mundo para aprisionar as nossas almas e de cujas garras é preciso escapar, retornando à unidade do Deus verdadeiro. Essa é obviamente uma hipersimplificação grosseira, mas serve para demonstrar como é possível existirem perspectivas diferentes sobre um mesmo material. E aí, quando temos isso, estamos fazendo teologia.

Nessa etapa, a partir de um material mitopoético que nos serve de base, o que acontece é a elaboração de um pensamento coeso, portanto. Por exemplo, no livro do Gênesis (Bereshit, em hebraico), nós acompanhamos a criação do mundo, a criação do ser humano, o dilúvio, e a história de Abraão e seus descendentes. Esse material é primariamente mitopoético, embora tenha outros substratos também (já falamos sobre isso no site, faz um tempo). Já o Bereshit Rabbah, um comentário rabínico composto entre 300 e 500 d.C., vai fazer a interpretação desse material, versículo por versículo:

“No princípio, Deus criou” – seis itens antecederam a criação do mundo; alguns deles foram [de fato] criados e alguns deles Deus contemplou criar, [embora não tivesse chegado a criá-los]. A Torá e o Trono da Glória foram criados. A Torá, de onde ela deriva? Como está escrito: “O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos” (Provérbios 8:22). O Trono da Glória, de onde ele deriva? “O teu trono está firme desde então; tu és desde a eternidade” (Salmos 93:2). Os patriarcas, Israel, o Templo e o nome do rei messiânico – Deus contemplou criá-los [antes do mundo, porém não o fez]. Mas eu não sei qual deles veio primeiro – será que a Torá foi anterior ao Trono da Glória ou o Trono da Glória anterior à Torá? (1:4, fonte aqui)

E aqui temos um belo exemplo do que é um texto de natureza teológica. Sua preocupação é em explicitar, sistematizar, passar tudo a limpo e colocar os conceitos em ordem, o que é importante para qualquer religião organizada. Assim é possível responder às famosas Grandes Perguntas: O que somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o sentido da vida? Por que existe o mal? etc.

Antes de continuar, preciso deixar claro que estamos lidando com categorias, que são recortes da realidade e, como com qualquer recorte, a realidade nem sempre se encaixa perfeitamente nos exemplos reais. Existem textos híbridos, em que uma parte é uma coisa e outra parte é outra. O Corpus Hermeticum, por exemplo, contém exemplos de mitos, como um mito hermético da criação do ser humano no “Poemandro”, junto com explicações desses mitos. Sócrates, igualmente, faz isso às vezes nos diálogos platônicos (O Banquete é um belo exemplo desse método). Embora a linha seja tênue, é importante identificarmos quando uma parte de um texto é mitopoética e quando é teológica. Não é possível discutir com um mito – o mito é o que ele é – mas podemos concordar ou discordar de suas interpretações e propor leituras diferentes. Hoje, pelo menos, dá para fazer isso sem ir parar na fogueira.

Na sequência, passamos para uma categoria que é menos apoteótica em escopo, porém crucial para quem mexe com magia. Se o texto teológico trata das grandes questões, existe também um gênero que vai explorar questões menores, mais ligadas aos fenômenos psíquicos da nossa existência, pensando como os conceitos desenvolvidos na literatura teológica permitem explicá-los. Por exemplo, se você se depara com um fantasma, a aparição incorpórea de uma pessoa que já morreu, de que forma essa experiência se encaixa na sua cosmovisão? Essa não chega a ser uma questão teológica, porque a existência de fantasmas não afeta a construção maior do pensamento de uma religião, mas precisa ser explicada, em todo caso. Fantasmas são as almas dos mortos? Nesse caso, por que continuam neste plano da existência, em vez de seguirem para onde têm que ir? É por terem pecado demais ou se apegado demais a essa vida? Por terem tido uma morte traumática ou ficado insepultos? Ou será que são outra coisa – uma parte do morto que fica para trás ou então um tipo de “gravação” que se repete? Ou até mesmo tentativas de enganação da parte de seres demoníacos que se valem de ilusões para nos enganar? Todas essas hipóteses já foram apresentadas para explicar esse fenômeno – inclusive dentro de uma mesma tradição religiosa5.

Nesse caso, podemos afirmar que estamos diante de um texto de mecânica esotérica. Tipicamente, eles se encontram afiliados a uma tradição teológica, mas vão tratar desses problemas menores, numa tentativa de formulação de uma ciência oculta. Discutir a natureza dos fantasmas é diferente de se discutir a natureza de Deus, por isso diferenças de opinião nesses campos não costumam causar grandes cismas. Embora algumas opiniões possam, sim, ser heréticas, é também perfeitamente possível que um entendimento de mecânica esotérica seja compatível entre religiões diferentes. Como esses textos visam à elaboração de uma ciência oculta, há uma certa independência nesse sentido, apesar de seus autores costumarem deixar evidente que têm certas filiações religiosas. A astrologia é um exemplo de uma disciplina essencialmente preocupada com questões de mecânica esotérica que atravessou essas fronteiras com facilidade: o material astrológico mais antigo foi composto por pagãos do período helenístico, desenvolvido por autores muçulmanos durante o medievo e importado pelos cristãos europeus a partir do século XII.

No mais, obras sobre anatomia esotérica, que tratam da aura, dos centros de energia e meridianos do corpo, obras sobre energia vital (qi, prana etc) e sua manipulação, bem como de outros tipos de energia, teorias sobre espíritos, obras sobre a influência do pensamento sobre a matéria – tudo isso entra nessa categoria.

O círculo mágico usado para conjuração angelical no grimório Heptameron, atribuído a Pietro d’Abano.

Por fim, em nossa última categoria, também de interesse para magistas, temos os manuais ou textos operacionais. Aqui não tem grande complicação: são obras que nos instruem, passo a passo, a realizar as diversas operações espirituais para qualquer tipo de resultado. Estão inclusas as tabuletas de argila e papiros egípcios com receitas para feitiços diversos, o material dos Papiros Mágicos Gregos e os inúmeros grimórios, desde a Hygromanteia, o Heptameron e o Lemegeton até o Abramelin. Esse material costuma se apresentar na forma de receita, explicando o que é necessário para um dado trabalho em termos de ferramentas, materia magica e timing, bem como as preces e fórmulas que precisam ser recitadas, movimentos físicos etc.

Uma coisa que fica evidente é que esse material prático é a culminação de um processo que começa lá no material mitopoético. No terceiro livro da obra De Vita, por exemplo, Marsilio Ficino explica como criar talismãs astrológicos, o que é um exemplo de um texto operacional. Porém, essas instruções são apresentadas dentro de uma discussão sobre mecânica esotérica – uma das preocupações do autor, inclusive, é com a licitude das suas práticas, pois ele considera que a magia natural é válida e permitida, mas qualquer forma de magia que envolva espíritos (dáimones ou demônios) seria proscrita. Essa discussão, por sua vez, parte de um contexto teológico cristão renascentista com influências neoplatônicas, que é elaborado a partir da mitologia da morte e ressurreição de Jesus Cristo, também enxertada à mitologia mais ampla de Iavé.

O caminho do mitopoético ao operacional pode ser observado aí com facilidade e, na medida em que há uma relação entre o começo e o fim dos processos, textos operacionais muitas vezes aludem diretamente ao material mitopoético de onde derivam. Não por acaso, não é raro que a magia no contexto abraâmico inclua recitação de salmos e outros textos bíblicos. Nos PGM, temos magia com citação de Homero, e muitas vezes na magia astrológica usa-se hinos órficos. No livrinho do Israel Regardie sobre talismãs, o exemplo de um talismã que ele oferece inclui uma citação do Livro da Lei, recebido por Crowley. E assim por diante.

Textos esotéricos, como vimos, podem pertencer a uma categoria apenas ou a mais de uma: o Sefer HaRazim inclui instruções operacionais, mas também elementos mitopoéticos nas descrições de cada um dos sete céus e seus anjos, ao passo que a Azoëtia de Chumbley faz igualmente esse misto de operacional e mitopoético, mas de forma mais integrada e obscura; o Magia Prática, de Franz Bardon, é um livro principalmente operacional e de mecânica esotérica, sem entrar muito em questões míticas e teológicas; já De Mysteriis, de Jâmblico, explora a parte mecânica, junto com uma teologia; o Kybalion é um texto apenas de mecânica esotérica, assim como boa parte dos livros mais tardios da teosofia, de Leadbeater, Arthur Powell e companhia; o Livro da Lei é uma boa mistura de mitopoética e teologia; e os livros de Filosofia Oculta, de Agrippa, fazem um pouco de tudo. No entanto, fica evidente que cada categoria de texto pressupõe as categorias anteriores, na medida em que não é possível existir um material operacional funcional sem um entendimento, em algum nível, da mecânica esotérica por trás (mesmo que esse entendimento não seja registrado por escrito), o qual depende, por sua vez, de uma sistematização teológica do mito de base. E a recíproca é verdadeira, logo uma obra mitopoética forte guarda em si, por essa mesma lógica, as sementes para uma teologia possível, que pode se desdobrar em mecânica e daí gerar uma prática. Foi o que aconteceu com a mitologia lovecraftiana6, por exemplo, e poderia acontecer com a mitologia de um poeta visionário como William Blake… se as pessoas conseguissem entendê-lo, isto é.

Orc emerge do fogo criativo para desafiar as forças do imperialismo. Placa número 12 de “America: a Prophecy”, poema e arte de William Blake.

Para encerrar, umas palavras de autocrítica: inventar divisões e sair por aí catalogando as coisas de acordo com essas ideias da minha cabeça é um modo de passar o tempo, mas não é necessariamente útil. O valor de uma tipologia está no quanto dá para usá-la e, a meu ver, isso aqui rende algum pano para a manga. Tem a função inicial que é ajudar o iniciante a entender o que ele precisa e então buscar a sua bibliografia conforme essas necessidades. Para quem está começando, eu acho que o mais importante é buscar o material de base em termos de mecânica esotérica e entender como a prática se desdobra a partir disso. Mas é claro que voltar às bases mitopoéticas é sempre revelador.

No mais, além disso, pensar na interação entre esses quatro tipos de textos pode talvez abrir alguns caminhos na cabeça das pessoas que estão com dificuldade para se engajar com textos esotéricos, justamente porque a nossa tendência é tratar tudo que diz respeito à religião, espiritualidade e magia de uma forma meio monolítica.

* * *

(Obrigado pela visita e pela leitura! Se você veio parar aqui n’O Zigurate e gostou do que viu, não se esqueça de se inscrever em nosso canal no Telegram neste link aqui. Anunciamos lá toda vez que sair um post novo, toda vez que abrirmos turmas para nossos cursos e todo tipo de notícia que considerarmos interessante para quem tem interesse em espiritualidade, magia e ocultismo. Se quiser se informar a respeito dos cursos, meditações e atendimentos de Pranic Healing no Instituto Pranaterapia São Paulo com a Maíra, o site dela é https://www.mairadosanjos.com.br/. Também estamos no Instagram (@ozigurate e @pranichealermaira) e Blue Sky (ozigurate.bsky.social e pranichealer.bsky.social).)

* * *

  1. Já vou fazer a autocrítica logo de cara de que esses textos não são todos necessariamente esotéricos, mas são textos que apresentam fortemente essa possibilidade de leitura, por isso entram no balaio. ↩︎
  2. Ambos os épicos estão disponíveis em português em tradução do prof. dr. Jacyntho Lins Brandão. As tabuinhas em sumério podem ser lidas em inglês no Electronic Corpus of Sumerian Literature. ↩︎
  3. A poeta contemporânea Josely Vianna Baptista traduziu alguns desses cantos em seu livro Roça Barroca, de 2011. ↩︎
  4. Como eu sempre reitero, no entanto, para um praticante de tradições espirituais, os mitos não devem ser levados ao pé da letra. Um autor antigo que fala disso é Plutarco, do século I d.C., na seção “Ísis e Osíris” da sua Moralia. ↩︎
  5. Sobre as explicações para fantasmas: nas religiões do leste asiático, existe o conceito do reino dos pretas, os fantasmas famintos atormentados pelos seus desejos, onde é possível renascer após a morte sob certas condições (geralmente pessoas apegadas, avarentas e insatisfeitas); na antiga Mesopotâmia, mortos insepultos podiam se tornar fantasmas e causar problemas; a tese da gravação é chamada de stone tape theory; a ideia de que uma parte de um morto maligno fica para trás é o que sustenta o conceito judaico do dybbuk; etc. ↩︎
  6. Eu faço parte do grupo das pessoas que interpretam a mitologia lovecraftiana não como um equivalente de pop magic, mas como resultado de um tipo de experiência astral da parte de Lovecraft, que dizia ter visto esses antigos seres em seus sonhos. ↩︎

Deixe um comentário