Este é um exercício simples que eu gostaria de compartilhar com vocês neste momento por motivos que eu acredito que sejam óbvios. É uma técnica que me veio durante as minhas práticas e que eu ensino no curso de Técnicas Mágicas Para Estudos, mas acho que é interessante ensiná-la mais amplamente para que mais pessoas possam se beneficiar dela.
Já falei algumas vezes aqui sobre os vários planos que constituem a realidade, em camadas, segundo as visões do ocultismo do século XX, e como nós temos corpos sutis que são usados para navegá-los: o físico, o etérico, astral, mental etc. O plano mental, mais sutil que o astral, é “o nível da consciência abstrata, o reino do significado sem tempo, nem espaço, leis da lógica e matemática, padrões fundamentais do cosmos”1. Como eu disse no texto sobre os vários tipos de seres espirituais, “Para fazer uma analogia computacional, já que se trata de um conceito meio abstrato, se a realidade sensorial a que temos acesso na maior parte do tempo é como a interface de um programa de computador, o plano mental, enquanto o plano que opera a nível de informações, seria o código que está rodando”. E o corpo que usamos para navegar nesse espaço é, obviamente, chamado de corpo mental.
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EM TEMPO: teremos dois cursos com turmas abertas que começarão ESTA SEMANA, Introdução à Autodefesa Energética (dias 27/10 e 3/11, à noite, inscrições aqui) e Teoria e Prática da Teurgia (dia 31/10, à tarde, inscrições aqui). Obrigado pela atenção, pode prosseguir com a leitura.
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O corpo mental tem várias características interessantes: ele cresce, ampliando a sua aura, conforme o indivíduo se desenvolve intelectualmente; ele entra num estado de ressonância com outros corpos mentais quando eles são utilizados; ele é afetado “por quase tudo que existe em torno dele”, incluindo o desgaste causado por ruídos e outras questões do ambiente2. Na época em que vivemos, o nosso corpo mental está sendo constantemente bombardeado: temos que lidar com propaganda, poluição visual e sonora, nuvens psíquicas de pensamentos de raiva, medo e ansiedade, doomscrolling etc, para além ainda das preocupações cotidianas que ocupam nossos pensamentos (Que que eu tenho que comprar no mercado? Eu já paguei a conta de luz? Quem que eu deixei de responder no WhatsApp?). Durante o século XX já era bem complicado, mas piorou demais depois que a gente passou a andar com maquininhas de geração de ansiedade em nossos bolsos.
O resultado é que, muitas vezes, ainda mais em épocas como agora, com a psicosfera em chamas, temos a sensação de estarmos envoltos num enxame de pensamentos que dificulta a vida no geral, feito um enxame de moscas, zumbindo no nosso ouvido. Esses pensamentos acumulados atrapalham a concentração, caso a gente queira estudar, e tendem a trazer consigo os sentimentos também que estão associados a eles, o que impede que a gente processe os sentimentos direito, que a gente os deixe passar como devem. No fim, se a gente não cuidar, fica todo mundo pilhado, girando em falso, acelerado demais para relaxar, mas sem foco para produzir. Esse exercício que eu vou passar para vocês hoje é, portanto, uma forma de mitigar isso.
Tem duas coisas que é preciso fazer antes de praticá-lo, no entanto. A primeira é ter consigo uma vasilha de água com sal. Quem é do Pranic Healing, claro, já vai ter o seu baldinho em casa sempre, mas quem não é pode estranhar um pouco, por isso vou explicar. Essa vasilha é onde essas energias de pensamentos incômodos serão despejadas. Por isso, é importante tratá-lo como uma lixeira: recomendo usar um recipiente de baixo custo, de plástico (vidro e cerâmica podem estourar e eu não quero que ninguém se machuque), e que tenha um mínimo de 1,5 litro ou 2 litros de capacidade. Um pote de sorvete que tenha sobrado já está ótimo. Você vai forrar o fundo dele com sal grosso e encher com água. Pode preparar o seu recipiente e deixá-lo no ambiente para usar sempre que quiser fazer essa prática e aí trocar a água, por exemplo, toda semana. Se quiser, pode trocar após cada uso, mas não precisa. Para despejar a água, use o vaso sanitário. Depois, se a vasilha ficar muito nojenta ou quebrar, jogue-a fora no lixo normal mesmo. Não use esse recipiente para mais nada que não seja despejar energia suja.
A segunda coisa é um outro exercício, de percepção dos corpos sutis, que eu passei num post mais antigo. Cito-o abaixo:
Primeiramente, você vai sentir seu corpo físico, prestando atenção a todas as sensações físicas: o ar entrando e saindo, a sensação da pele contra a roupa, a pressão do corpo sobre a cadeira, a temperatura do ar, cheiros, o gosto na sua boca, sensações de fome, dor, cansaço etc. Mantenha essa concentração por alguns instantes, depois visualize que dentro desse corpo físico há um corpo mais sutil, como se o físico fosse uma luva. Esse corpo mais sutil dentro do físico é o corpo astral. Você pode visualizá-lo como uma cópia do seu corpo físico feita de luz colorida (a cor pode ser a primeira que vier à sua tela mental). Agora você vai prestar atenção aos seus sentimentos, seu “estado de espírito”, por assim dizer. O que você está sentindo nesse momento? Alegria? Ansiedade? Tristeza? Medo? Apreensão? Tranquilidade? Entre em contato com essas sensações e mantenha essa concentração por alguns instantes, depois prossiga, visualizando que dentro desse corpo astral há um corpo de luz ainda mais sutil, que é o mental. Aqui você presta atenção no seu estado mental, óbvio. Como andam seus pensamentos ultimamente? O que tem povoado a sua cabeça? Mantenha essa concentração e essa visualização (corpo mental dentro do astral dentro do físico).
Esse é um exercício, como dito, para entrar em contato e perceber os seus corpos físico, astral, mental e espiritual, indo nessa ordem. No texto em que eu falei dessa prática, a gente prossegue e vai até o corpo espiritual, mais sutil – mas, para a nossa prática de hoje, cujo propósito é uma limpeza mental, vamos parar, claro, no corpo mental.
Certo? Resolvido isso, vamos ao passo a passo da prática propriamente.
Limpeza do corpo mental
- Sente-se confortavelmente, tendo a vasilha de água e sal diante de você. Aponte para a vasilha e intencione que tudo que você tirar do seu sistema agora será depositado na água com sal.
- Realize o exercício de percepção dos corpos sutis, conforme instruído acima, parando no corpo mental.
- Concentrando-se no seu corpo mental, inspire pelo nariz e expire pela boca. Mantenha os olhos fechados.
- Preste atenção no primeiro pensamento que vier. Dê uma imagem a esse pensamento – por exemplo, se você pensou na preocupação com as contas do mês, visualize esse pensamento como uma imagem bidimensional de um punhado de boletos. Então, ao expirar, imagine que essa imagem está indo para a vasilha de água com sal, onde ela se dissolve.
- Repita esse procedimento com os outros pensamentos que surgirem: ao aparecer qualquer coisa, dê-lhe uma imagem e o dissolva na vasilha ao expirar. Se algum pensamento for mais resistente, pode jogá-lo de novo, até ele se dissolver de vez. Preocupações, fantasias, desejos, pensamentos repetitivos e incômodos, discussões que você teve (ou vai ter) e para as quais só pensou numa resposta decente depois, questões de trabalho, pessoas que você tem que responder, até músicas irritantes – tudo isso você pode transformar numa imagem e jogar na vasilha com água e sal junto com a sua exalação para que se dissolvam.
- Você pode praticar esse exercício durante o tempo que quiser. Pode colocar no relógio para fazer durante o número de minutos que achar interessante ou pode continuar até sentir um alívio.
- Quando quiser terminar, é só abrir o olho e continuar com o seu dia ou suas práticas. Preste atenção em como você se sente após o exercício. Mais leve? Com os pensamentos fluindo melhor? Se quiser complementar a prática, para encerrar, recomendo algumas repetições do mantra PSINŌTHER NŌPSITHER THERNŌPSI (não precisa ser 108. 36 já está bom), ou algo parecido, para dar aquela limpada final. Dar umas borrifadas em volta de si com alfazema líquida, álcool com cânfora ou água de flórida também é legal3.
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Esse exercício não substitui outras práticas de meditação, mas pode facilitar o processo. Numa meditação pranayama simples, o objetivo, como já falamos antes, não é descartar os pensamentos, nem sequer parar de pensar e ficar com a mente vazia, mas sim reconhecer os pensamentos e desapegar-se deles, deixar que passem. Se você decidir que vai meditar durante dez minutos e passar esses dez minutos inteiros percebendo que perdeu o foco, tendo se distraído com seus pensamentos, e trazendo-o de volta à respiração, você já vai estar meditando. E quanto mais você exercitar isso, mais fácil fica. Porém muita gente tem dificuldade de começar a meditar justamente por conta de um excesso de pensamentos no começo, já que vivemos numa época de hiperestimulação mental.
Por isso, essas pessoas tendem a ter uma imensa dificuldade para chegar em estágios meditativos um pouco mais avançados, a passar da porta de entrada, por assim dizer. A ideia aqui é recomendar esta prática para quem está entrando em parafuso pelo excesso de pensamentos e precisa de uma ajudinha, mas ela pode ajudar também a vencer essa barreira inicial também, além de ser útil para quem tem alguma prática mágica ou espiritual que envolva a comunicação intuitiva com seres espirituais, já que a limpeza desses pensamentos permite que a comunicação ocorra com maior facilidade.
Eu também indiquei, faz um bom tempo, uma dica de como fazer um talismã para lidar com sentimentos difíceis (hoje, aliás, nesta segunda-feira dia 26/10, é um bom dia para fazer esse talismã lunar. Dá para correr lá ainda). Combinar as duas técnicas, descarregando os sentimentos com o talismã e os pensamentos na vasilha com essa prática, pode ajudar muito a manter o equilíbrio em momentos de tensão.
Há outras coisas que dá para fazer. É possível trabalhar com banho de ervas também, por exemplo, e a escola do Pranic Healing também é fenomenal para lidar com essas questões (no nível III, curso de Psicoterapia Prânica, a gente adquire as ferramentas específicas para cuidar do mental e do emocional. Teremos o nível I, Básico, no Instituto Pranaterapia São Paulo no fim do ano, dias 12 e 13 de dezembro, link aqui).
Enfim, por hoje é só – um texto simples, rápido e prático. Solto-o hoje, porque essas últimas semanas foram muito tensas para todo mundo, claro. No fim, conseguimos o que queríamos, mas foi sofrido, né? A ideia agora é fazer essas limpezas para que talvez fique mais fácil retomar um pouco os ritmos da normalidade, antes de termos que nos mobilizar de novo, quando for necessário.
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- A frase é de John Michael Greer, em seu livro Monsters. É a mesma citação que eu faço no texto sobre os tipos de seres espirituais. ↩︎
- Tudo isso está descrito em detalhes no livro de Arthur Powell, O corpo mental, que eu já comentei no texto de recomendações de leitura. ↩︎
- Se você gosta de e pratica rituais de banimento como o RmP, pode encerrar com isso também. ↩︎
