É hora de aproveitar as energias de Júpiter e Saturno!

A base da magia astrológica, de um modo geral, é aproveitar os momentos em que o céu se encontra favorável para aquilo que você quer conquistar. Como o mais desejado é aproveitar o céu para magia benéfica, por exemplo recorrer a Vênus, Júpiter, Mercúrio ou o Sol para magia de prosperidade, o mais comum é procurar as posições em que os planetas envolvidos estejam mais fortes, fazendo aspectos positivos, etc. No caso de magia com as mansões lunares, estrelas, signos e constelações, você precisa ter a força e dignidade da Lua em mente, além de esperar certos posicionamentos específicos. É possível ainda aproveitar céus ruins e planetas debilitados, como se pode ver na história de Christopher Warnock e seu talismã para pegar um rato, mas é um pouco mais complicado e exige uma maior habilidade do magista.

A magia planetária é, talvez, o tipo mais tranquilo de magia astrológica, pois existem diversas forças, como anjos, inteligências e deuses associados aos planetas, cujo trabalho permite suavizar um pouco as coisas, de modo que você pode trabalhar com essas energias sem precisar encontrar eleições 100% perfeitas – o eterno motivo de muita neurose entre os praticantes desse tipo de magia. Há quem, inclusive, trabalhe com magia angelical, valendo-se da força dos anjos dos planetas, ou com os espíritos olímpicos do Arbatel sem se atentar para essas questões de timing astrológico. Apesar disso, eu acho prudente, no mínimo, para propósito de magia de manifestação e criação de talismãs, procurar conjurar um planeta quando ele se encontra em seu momento mais forte, dentro das possibilidades.

Há várias coisas envolvidas em determinar a força de um planeta – uma das principais é o signo em que ele está. Quando um planeta está em domicílio (no signo que ele rege) ou exaltação, é o momento ideal para isso, sendo muito pouco recomendável trabalhar com planetas nos signos opostos a essas posições. Para dar um exemplo, Júpiter rege Sagitário e Peixes, exaltando-se em Câncer, por isso é ótimo trabalhar com Júpiter quando ele se encontra nessas posições. Já nos signos opostos a esses três, Gêmeos, Virgem e Capricórnio, Júpiter se encontra debilitado. Nos outros signos ele é considerado peregrino, o que não é ideal, mas dá para se virar em termos de magia.

Uma outra questão é a retrogradação. A retrogradação é uma ilusão que faz parecer, daqui da Terra, que o planeta está andando para trás no céu. Ou seja, em vez de seguir no caminho esperado pelo zodíaco (Áries, Touro, Gêmeos, etc, até Peixes e depois Áries de novo), ele vai no caminho contrário. O planeta que mais causa alarde quando fica retrógrado é Mercúrio, o que acontece por breves períodos três vezes ao ano. Sendo um planeta rápido e considerado próximo, esses efeitos são sentidos de forma mais aguda, e dependendo do que está acontecendo, pode ser meio catastrófico mesmo (nesse período de agora, um problema muito comum é eletrônicos queimarem). Aí vocês calculam que se já é ruim fazer coisas mercuriais, como adquirir eletrônicos e assinar papéis importantes, nesses períodos, imagine os efeitos de tentar fazer magia. Vênus e Marte também ficam retrógrados de quando em quando, embora com menor frequência, mas com efeitos palpáveis (receber um “oi sumido” é comum em períodos de Vênus retrógrada, como o que teremos no final do ano). Júpiter e Saturno, mais lentos, passam quase metade do ano retrógrados, e seus efeitos são um pouco mais sutis, sentidos a um nível mais estrutural.

Arte representando Júpiter e Saturno no manuscrito renascentista De Sphaera.

E agora vamos nos aproximando de onde eu queria chegar (esses parágrafos anteriores foram mais explicativos para quem não entende muito de astrologuês).

Em junho deste ano, Júpiter, o Grande Benéfico, entrou em Peixes, um dos signos que, junto com Sagitário, constituem seus domicílios, como dito. Já foi um alívio quando ele entrou em Aquário, depois desse último ano em Capricórnio, seu signo de queda… porém, logo na sequência, ele já engatou o movimento retrógrado. Agora, para a alegria de todos, no dia 17 deste mês, este domingo, ele volta ao movimento direto. Como comenta o Wil, do Hórus Astrologia (recomendo que vocês sigam o canal dele no Telegram, aliás, se já não estiverem seguindo), o efeito geral dessa mudança vai ser uma tendência para que projetos parados e processos internos comecem a fluir melhor, o que facilita a retomada de estudos e processos mágicos e religiosos, além de viagens. E, claro, é uma ótima notícia também para magia jupiteriana. Infelizmente, a retrogradação faz o planeta voltar no céu, e Júpiter, que havia entrado em Peixes, já voltou para 22º de Aquário.

No fim do ano, dia 29 de dezembro, Júpiter chega em Peixes de novo, onde permanecerá até o dia 10 de maio de 2022, quando entra em Áries. Isso nos dá aí uns bons quatro meses, mais ou menos, para aproveitar esse momento. Para melhorar, eu dei uma olhada rápida aqui nos aspectos durante esse período e ele parece relativamente livre de aspectos tensos (certamente nada de quadratura ou oposição com maléficos nem nada do tipo). Marquem no calendário, então: de 29/12 a 9/5 temos aí um período maravilhoso para magia jupiteriana. Depois, só teremos outro bom assim quando Júpiter entrar em Câncer, seu signo de exaltação, em 2025 e depois Sagitário de novo em 2030.

Todo tipo de magia de Júpiter estará sendo favorecida durante esses quatro meses, e qualquer ritualzinho simples, como o que eu ensino no meu canal do Telegram com vela e o hino órfico dos planetas, já deve dar bons resultados. O grande clichê é recorrer a Júpiter para magia de prosperidade, mas tudo que diz respeito à boa sorte, à saúde, à expansividade, à sabedoria e religiosidade também se enquadram dentro dos processos desse planeta. Mas o mais sagaz, de fato, seria aproveitar esse período para construir um talismã mais permanente, a fim de poder aproveitar essas energias mesmo depois que essa época boa passar.

Para um talismã permanente, o metal de Júpiter é o estanho, mas talismãs feitos com ouro e prata também dão bons resultados, e seus cristais mais comuns são a ametista e a lápis-lazúli. Esses trabalhos devem preferencialmente ser feitos numa quinta-feira e/ou na hora de Júpiter (vide nosso outro texto sobre horas astrológicas). Você pode, por exemplo, mandar fazer um anel de prata com símbolos de Júpiter gravados nele e uma lápis lazúli encrustada, depois consagrá-lo em casa num ritual mais elaborado com a presença de forças celestiais como o anjo Tzadikiel/Sachiel e/ou a inteligência Jofiel (seus sigilos e invocações constam, respectivamente, no Heptameron e na Filosofia Oculta, de Agrippa). Pingentes também são uma boa pedida, e o Balthazar, do Balthazar’s Conjure, ensina num vídeo a criar uma mojo bag jupiteriana. Quem tem familiaridade com a Clavicula Salomonis, pode também aproveitar agora para fazer e consagrar pantáculos de Júpiter, especialmente o primeiro, que possibilita a evocação de espíritos jupiterianos, e o segundo, que serve para “adquirir glória, honras, dignidades, riquezas e todo tipo de bem, além de grande tranquilidade mental, descobrir tesouros e espantar os espíritos que os guardam”.

Outro planeta que saiu do movimento retrógrado este mês, no dia 10 agora, foi Saturno. O Grande Maléfico faz um tempo que anda num período bom, tendo entrado em Capricórnio no final de 2017, depois em Aquário, sendo ambos os seus signos de domicílio. Ele ficou retrógrado agora desde maio e vai ficar de novo no ano que vem, entre junho e outubro, entrando em Peixes em março de 2023 – o que nos dá um prazo, mais ou menos, de 12 meses para aproveitar esse período. Depois de Peixes, ele entra em Áries, seu signo de queda, em 2025, e só vai ficar bom de novo, de verdade, em 2041, quando entra em Libra. É, aí dá uns 20 anos sem poder fazer uma magia saturnina realmente poderosa.

Sendo um planeta considerado maléfico segundo a astrologia clássica, é de esperar que o tipo de magia mais associada a Saturno seja magia destrutiva para sacanear o amiguinho, mas não precisa ser o caso. Saturno também trata de proteção, sendo útil especialmente quando se é alvo de operações mágicas alheias, e da quebra de padrões negativos e aprisionadores. Num sentido mais construtivo, por ser o planeta dos limites, ele deita as bases e possibilita erguer estruturas, o que também oferece possibilidades no que diz respeito à prosperidade e carreira, embora ele não seja um planeta que as pessoas associem com dinheiro (e, de fato, aqui estamos pensando em questões de longo prazo, um trabalho lento e demorado… pressa não é a prioridade de Saturno). No mais, a sabedoria e o conhecimento de coisas ocultas são outras das associações de Saturno. Para quem quiser criar um talismã mais permanente a fim de aproveitar esse bom momento do planeta, seu metal é o chumbo e cristais incluem a safira, a ônix e a obsidiana, seu arcanjo é Cassiel (ou Tzafkiel) e a inteligência é Agiel. As operações devem ser feitas no sábado e/ou nos horários de Saturno. Na Clavicula Salomonis, você pode se interessar pelo primeiro pantáculo, que é útil para evocar e obter a obediência dos espíritos, e pelo segundo, de “grande valor contra adversidades”.

Geralmente o ciclo dos planetas é rápido o bastante que não é necessário dar esse tipo de aviso – a Lua passa por todos os signos todo mês, e o Sol todo ano, acompanhado de Mercúrio e Vênus. Marte, que é mais lento, faz esse percurso a cada dois anos. Por isso, perder um momento em que esses planetas estejam domiciliados não costuma ser uma grande perda, e não é necessário ficar cheio de nóia com isso. Com Saturno e Júpiter, mais lentos, já é outra história, e eu não seria um praticante e professor de magia astrológica digno se não avisasse os meus leitores quanto a isso.

Para quem quer saber mais sobre o assunto, eu estou reelaborando o curso de Magia Astrológica de modo a constituir um estudo mais minucioso e aprofundado, em mais de um módulo. Se tudo der certo, teremos a primeira turma do primeiro módulo de Magia Astrológica no final do ano. Fiquem de olho!

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