Crença é irrelevante

A grande declaração que eu tenho para fazer hoje já está no título do texto: na esmagadora maioria das vezes, dentro do âmbito da magia e espiritualidade, o conceito de crença é irrelevante. Isso eu gostaria de deixar bem claro. Para quem é iniciante, ter essa consciência ajuda muito no processo de aprendizado, para evitar se apegar a coisas que não importam. Assim, você se poupa o trabalho de ter que desaprender as coisas depois. Para quem tem mais experiência, abrir mão desse conceito ajuda a melhorar o nível do debate. Já falei disso antes aqui num texto do site, mas acho que não fui enfático o suficiente na época (eu tenho esse problema às vezes) e teve gente que não pegou o recado, por isso estou dizendo agora com todas as letras e de modo inequívoco1.

O único contexto, de que eu tenho notícia, em que a crença tem relevância é para o cristianismo. Afinal, a oração do Credo (que é uma palavra que vem do verbo “crer”) afirma: “Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo (…) Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica”, etc. Então, para ser cristão tem esse pequeno pré-requisito interno que é crer em algo específico, o que a gente não costuma encontrar em outras religiões (este também sendo um conceito problemático, o de religião, mas vamos deixar passar). Isso é muito curioso quando a gente considera que o cristianismo é uma religião proselitista e dominante, em que a crença pessoal e interna acaba sendo também uma forma de isolar quem é convertido de forma obrigatória (tipo, “essas cristãos novos aí não são cristãos de verdade“)2. Mas essa é uma digressão em que não vale a pena entrar agora. No mais, eu já falei longamente da relação entre crença e cristianismo no outro texto.

Em todos os outros contextos dentro do âmbito da espiritualidade, magia e ocultismo, falar em crença mais obscurece o debate do que qualquer outra coisa. Os espíritos e energias e o que mais for, no geral, não se importam com o que você acredita ou não, simples assim. Inclusive se você acredita ou não em magia. Isso é um problema exclusivamente seu. O que você de fato faz com isso é o que é importante. Mas, claro, se eu publicasse este texto só para falar isso, seria um texto muito curto – olha só, apenas três parágrafos – e vocês sabem que eu não consigo.

Em Peter Pan, as crianças precisam acreditar em fadas para elas existirem. Tem marmanjo até hoje que acha que é assim que as coisas funcionam.

Então, para quem está acostumado a pensar por esse viés da crença, como substituí-la? Como abordar a questão por um outro lado?

Coisas que existem

Primeiramente, acho importante tratarmos da pergunta “você acredita em x?”, em que x descreve algum ser considerado sobrenatural – deuses, demônios, fantasmas, fadas, o que for. Quando alguém pergunta isso, por exemplo, “você acredita em fadas?”, o que ela quer saber, de fato, é se o seu interlocutor acha que fadas são uma coisa real que existe. E é aí que começa o equívoco.

A imaginação da maioria das pessoas é dolorosamente limitada. Para elas, algo só existe se tiver um corpo físico. Nesse sentido, nenhuma criatura dessas categorias de seres existe. De fato, se a questão da existência desses seres for apresentada como se fossem seres materiais, o deboche é merecido, como é merecido o deboche que a gente reserva a quem faz a leitura literal da Bíblia. No entanto, algo não precisa ter um corpo físico para ter uma influência palpável. O dinheiro, tal como lidamos com ele na contemporaneidade, também não existe nesse sentido. Quando eu faço um Pix para alguém, não tem um tubo pelo qual eu mando moedas para a conta dela. E olha só o que o dinheiro faz com as nossas vidas – não é à toa que alguns ocultistas vão falar no dinheiro como se fosse um espírito. E mesmo na filosofia, digamos, normal, i.e. não ocultista, existe um conceito para lidar com coisas do mundo que não são físicas de fato – vide o chamado Mundo 3 na obra de Karl Popper. Mas não vamos entrar nisso agora.

Para uma pessoa que não está inserida no meio esotérico ou para quem está começando, é normal e compreensível duvidar da existência dos planos sutis e seus seres. Faz parte do processo. E eu não estou aqui para tentar convencer ninguém nesse sentido. Os iniciados, no entanto, interagem com espíritos e energias regularmente, por isso não têm justificativa para que suas imaginações fiquem presas ao mundo material. Um livro que me ajudou muito a pensar essas coisas e de que eu já falei anteriormente, é o Monsters: An Investigator’s Guide to Magical Beings, do Greer, que fornece interpretações de fenômenos sobrenaturais como encontros com vampiros, fadas e seres afins a partir da literatura ocultista. E assim certos monstros, como o Diabo de Jersey, que é uma completa impossibilidade biológica e não pode existir no plano material, se tornam concebíveis quando compreendidos como seres do etérico, que é também como Greer classifica fadas e outras criaturas.

Depois, tem aquilo que nós mesmos criamos. Uma técnica bastante popular é a criação de seres artificiais, conhecidos como servidores – os quais uma vez planejados, montados e energizados para realizarem um certo propósito, passam a existir de modo que é possível interagir com eles. Mas um ser artificial não precisa ser criado com um propósito mágico para existir. Arthur Powell, em O corpo mental, comenta que personagens em um livro que está sendo escrito também ganham uma existência palpável a partir da atenção que lhes é dada por quem está escrevendo, e outros seres incorpóreos podem, inclusive, interagir com essas criações, de brincadeira mesmo, o que dá a impressão de que esses personagens ganharam vida e estão agindo por conta própria (o que acelera muito o processo de escrever uma obra de ficção, já que ela passa a se escrever praticamente “sozinha”). Como já discorremos anteriormente, nós estamos o tempo inteiro criando formas-pensamento, querendo ou não, que são essas entidades concebidas a partir do que a gente sente e pensa. Por isso, não é absurdo chegar à conclusão de que tudo existe. Se você consegue imaginar uma coisa, ela existe em algum grau, em algum nível.

Agora, é claro que nem tudo que existe nos planos sutis existe no mesmo patamar. Eu trabalho muito com deidades. Tem gente da vertente de Pop Magick (um negócio que eu não recomendo, bom frisar, mas está aí, né…) que acha que é possível substituir o trabalho teúrgico com deidades por um trabalho com super-heróis e outras figuras da cultura pop, por julgarem que é “o mesmo arquétipo” e que essas histórias são “nossa mitologia moderna”. Eu não nego que super-heróis existam nos planos sutis, como existem tantos outros personagens ficcionais. Mas eles não existem no mesmo patamar que nem mesmo a menor das deidades, simples assim. E falar dessas coisas, tentar provar isso discursivamente por A+B é, ao mesmo tempo, muito ruim e muito absurdo (ideias ruins, como a de magia com super-heróis, tendem a fazer isso, no geral, transformar o debate em piada). É fácil para um indivíduo inserido na modernidade desencantada, que não tenha passado por qualquer experiência espiritual mais profunda, enxergar tudo como a mesma coisa. Nessa mesma linha, também já vi a afirmação de que deidades poderiam ser servidores que cresceram demais, o que é uma indagação válida para alguém inexperiente fazer enquanto tenta dar sentido ao que está aprendendo, ainda que equivocada. Sobre isso vamos falar na próxima seção do texto.

Nesse sentido, no limite, perguntar se um ser existe ou não é uma pergunta óbvia. Se você consegue concebê-lo, ele existe. A questão passa a ser: em que nível esse ser existe? Como se dá a interação com esse ser? Qual sua capacidade de ação? Em que grau ele pode ser benéfico ou maléfico? É por isso que, mesmo que eu não pratique o sistema Quareia, eu acho que o módulo deles sobre Types of Beings (o módulo 6 de aprendiz) é tão precioso. O aprendizado mágico está em entender o que cada um desses seres faz, como lidar com eles e como dialogam ou não diferentes sistemas de categorização3.

A formulação de hipóteses

Depois, eu acho mais interessante pensarmos em termos de hipóteses do que de crenças.

Com isso, não quero sugerir uma necessidade de cientifização ou pseudocientifização da magia. Nossa, não, isso é tudo muito século XIX. Mas é como nós operamos no dia a dia mesmo e não acho que devíamos adotar outro modo de tratar as coisas só porque estamos lidando com o invisível.

Kalina Nikolova – Rivers of denial (fonte).

Vamos ilustrar o tema pressupondo uma situação em que você precise carregar o seu celular. Você pluga o celular no carregador e pluga o carregador na tomada. Porém, por algum motivo, o celular não está carregando. O que você faz nesse momento? Formula hipóteses e começa a testá-las (mesmo que não se dê conta de que é isso que está fazendo). É possível que o problema esteja na rede elétrica, na tomada, no corpo do carregador, no fio ou no próprio celular. Se as luzes no lugar estiverem acesas e a chave ligada no quadro de luz, então não é a rede elétrica o problema – você descarta essa possibilidade. A tomada você pode testar tentando ligar outros aparelhos que você sabe que estão funcionando ou com uma ferramenta especial. O corpo e o cabo do carregador, dá para testar trocando outros cabos ou até mesmo mexendo o cabo de lugar, porque pode ser mau contato, e assim por diante. Você não formula e aplica uma crença pronta (“não, esse celular não pode dar problema, é um iPhone!”), mas pensa nas possibilidades e tenta excluir as que não se aplicam. Essa mesma abordagem foi a que eu expliquei quando escrevi o meu texto sobre como lidar quando a magia não funciona.

Quando a gente está começando a entender como as coisas funcionam no mundo oculto, a gente vai entrar em contato com muitas informações de fontes diversas. Num primeiro momento, eu acho importante manter o que se recebe meio que em suspenso, tipo uma etapa probatória. “O que esse autor aqui diz é válido?” Pode ser, pode não ser. Pode acontecer de você tomar uma dada visão como base para a sua prática e a coisa até funcionar até um ponto, mas depois ter contato com uma perspectiva melhor, refinar a sua abordagem e observar como a sua implementação daquilo torna a sua prática mais fluida e eficaz. Aconteceu comigo.

Para dar um exemplo desse processo: em um de seus livros, publicado em 2002, Donald Tyson expõe a sua opinião sobre espíritos. Diz ele que espíritos são “mentais, não materiais”, que eles:

habitam as profundezas da mente e se comunicam conosco por meio de sonhos, impulsos inconscientes e mais raramente em visões lúcidas. Afetam nossos sentimentos e pensamentos abaixo do nível de nossa percepção consciente. Às vezes conseguem controlar nossas ações, seja parcialmente no caso de padrões de comportamento irracionais e obsessivos, seja completamente no caso de uma possessão plena. Por meio de nós, usando-nos como seus instrumentos físicos, e apenas por meio de nós é que eles são capazes de influenciar coisas físicas.4

Essa perspectiva está correta? Bem, isso é complicado de julgar. Para um iniciante, faz sentido apresentar essa visão, porque às vezes a pessoa chega na magia com umas expectativas irreais, tipo “vou aprender a levitar, mover objetos com a mente e jogar bola de fogo”, e não é bem assim, né. Ler o Tyson pode ser útil nesse caso para manejar expectativas e pensar as suas estratégias de atuação mágica. Mas é perfeitamente possível, para alguém com mais experiência, usar magia para afetar coisas que não passam pelos pensamentos, sentimentos e comportamentos humanos. Um exemplo disso é a magia meteorológica, rituais para fazer chover ou parar de chover, para cair granizo e situações assim, tudo já bem documentado em grimórios clássicos. Pela minha própria experiência, esse tipo de magia funciona, por isso para mim não faz sentido adotar a hipótese de Tyson – não sem modificá-la, pelo menos. Talvez os espíritos operem, sim, por meio do ser humano, mas nisso estariam incluídas a potencialização e canalização de nossas próprias forças energéticas e psíquicas? Ou então talvez a afirmação dele seja válida a respeito a uma categoria mais estreita de espíritos. Tyson não está inteiramente errado e as práticas que ele ensina, radicadas no que ele pensa, funcionam. Mas sempre há espaço para ajustes.

Voltando agora ao caso das deidades e servidores: um iniciante, ao ter contato com esses conceitos, pode postular essa equivalência (eu mesmo já vi acontecer). E eu não acho que essa seja uma pergunta ruim de se fazer ou que as pessoas devam ser proibidas de fazê-las por serem perguntas “blasfemas”. Para alguém que cresceu dentro de uma visão de mundo monoteísta, as várias deidades ou não existem (o que significa que, se elas forem invocadas e acontecer alguma coisa, então é preciso explicar essa “alguma coisa” de algum outro jeito) ou são demônios. É válido se perguntar e é válido formular hipóteses. No entanto, se esse iniciante hipotético tiver bom senso e um framework sólido, depois de acumular um tanto de experiência com esses seres, ele vai entender o porquê da invalidade dessa hipótese5.

Nossos valores

No mais, um outro conceito que orbita a discussão em torno da palavra “crença” é o de valores. A meu ver, os valores são uma coisa mais profunda do que uma crença, algo mais arraigado no modo como a gente opera, capaz de despertar sentimentos viscerais de ódio, medo, nojo. Para alguém que tem entre os seus valores a preservação da dignidade humana, por exemplo, ver gente na miséria é doloroso. Para um bilionário, que tem o dinheiro como único valor, a única coisa com a qual ele se importa, evidentemente isso é um grande foda-se.

Em termos de magia, nossos valores possibilitam ou dificultam a conexão com as egrégoras das várias tradições mágicas e espirituais. Vamos aos exemplos: o cerne da doutrina hermética é a elevação da alma pela sua purificação e ascensão, orientando-se por um mapa cósmico que se inspira no arranjo das esferas celestes, com seus vícios e virtudes específicos, rumo a uma comunhão com um conceito do Divino que é transcendente e imanente, que permeia e possibilita todas as coisas, mas que é possível acessar mais plenamente por meio desse trabalho. Se isso lhe parece interessante, é fácil se conectar com a egrégora. Se o que você gosta é da matéria e, por isso, noções de purificação e ascensão lhe parecem absurdas ou até mesmo revoltantes, aí não tem como6. Você gera uma resistência que inviabiliza o processo.

Outro exemplo: quando a gente faz a Meditação dos Corações Gêmeos, que é a prática central da escola de Pranic Healing, a gente abençoa toda a Terra. Toda a Terra. Isso inclui gente de quem você não gosta. Há uma ênfase no perdão, na bondade amorosa e no não ferir. Se isso te faz torcer o nariz (claramente não é uma escola para quem quer poder para alimentar fantasias infantis de destruir os seus inimigos), há um conflito de valores aí, e isso também dificulta a conexão. Se houver uma abertura inicial, é possível passar gradualmente por uma transformação interna dos próprios valores que reduz essa resistência. Não se trata de fake it till you make it, mas de ir cultivando uma tolerância, uma abertura, até que as coisas que incomodam deixem de incomodar. Mas, se for uma oposição muito ferrenha, logo de cara, não dá. E é assim com qualquer egrégora. Não tem como fazer uma prática espiritual centrada no culto à natureza se você quer mais é quem derrubem mais árvores para plantar soja, não tem como praticar magia salomônica se você tem horror ao cristianismo, não tem como cultuar Orixá sendo racista, e assim por diante.

E, como eu disse, a questão dos valores se dá num nível mais profundo, mais emocional. Não dá para você pegar e dizer, “ah, estou mudando meu mindset agora” e pronto. Você pode até se iludir que sim, mas suas reações emocionais contam outra história.

Cena de O Lagosta, de Yorgos Lanthimos. Num dos subenredos do filme, o protagonista tentar conquistar a “mulher desalmada”, o que envolve fingir que ele mesmo é cruel, frio e não tem sentimentos. Quem assistiu entende a relação com esse último parágrafo.

Enfim, esses são alguns dos conceitos que acabam misturados e confundidos quando se fala de crença num âmbito espiritual. No entanto, como dito, o que a gente faz de fato é mil vezes mais importante do que nossas suposições.

Um último exemplo: Vamos imaginar que você se consulte com alguém que se diga capaz de acessar vidas passadas. Isso é muito popular, mas infelizmente não é porque as pessoas acham que podem tirar algo de útil disso, mas sim porque querem se sentir especiais. E claro que tem muito charlatão por aí disposto a dar exatamente essa experiência, daí que tanta gente tenha sido da nobreza, um monte de Cleópatra e Napoleão por aí. Mas vamos supor que você seja uma pessoa séria e vá numa pessoa séria que não vai só dizer qualquer bobagem para inflar seu ego. Às vezes, com as informações da vida prévia você pode ter certos insights, porque tem tendências que continuam de uma vida para outra (por isso, não é raro quem teve vida monástica ainda ser meio recluso nesta encarnação). Mais do que isso, no entanto, existem técnicas no budismo, por exemplo, que possibilitam quebrar essas tendências e purificar karmas de vidas passadas. Assim, você transforma o que poderia ser apenas uma informação inútil, que só serve para inflar o ego, em algo prático, do qual dá para tirar algo de benéfico. E isso é fazer magia. Todo o resto, todo aquele monte de especulação que ocultistas adoram fazer, na maior parte das vezes, é perfumaria.

E isso é o que eu tenho a dizer sobre crença na magia. Agora, fé é uma outra coisa, muito mais importante, que talvez a gente possa explorar num outro momento.

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  1. Nosso amigo Rudá explorou essa questão também em “Magia é matemática”, o texto mais recente da Mago do Agreste, sua newsletter recém-lançada (link aqui) ↩︎
  2. Um dado curioso é que o conceito de sinceridade surge justamente nesse contexto. “Sincero” era um termo a princípio usado para falar de substâncias físicas, depois para descrever o cristão que era “realmente cristão”, e aí a coisa foi se expandindo nos séculos XVIII e XIX. ↩︎
  3. Um caso interessante para estudo: o folclore inglês e suas práticas mágicas populares reconhecem a existência de fadas como uma categoria de seres. No entanto, dentro da visão de mundo cristã predominante, tudo que não era anjo era demônio, e é por isso que, num grimório como o manuscrito conhecido como The Book of Oberon, a tecnologia usada para a conjuração de fadas é a mesma tecnologia da conjuração de demônios de toda a tradição nigromântica. ↩︎
  4. A fonte é o livro Enochian Magic for Beginners. ↩︎
  5. O trabalho com um servidor ou um demônio não vai desenvolver o centro energético da sua coroa, por exemplo, porque isso só é possível tendo contato com seres superiores. Isso está na obra de Jâmblico, inclusive, embora não com essas palavras. Com as devidas ferramentas (e aqui eu vou vender de novo o peixe da escola de Pranic Healing, que oferece essas ferramentas), essa avaliação se torna possível e você não precisa apenas confiar no que um autor como Jâmblico diz, mas pode de fato ir lá e conferir. ↩︎
  6. A bem da verdade, uma postura materialista inviabiliza qualquer prática de desenvolvimento espiritual, não apenas as do hermetismo. Mas tem tradições mágicas que são centradas puramente na magia de resultados que é possível praticar ainda assim. Vocês só não vão ouvir a gente falar disso aqui n’O Zigurate, porque não é como a gente opera. ↩︎

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