Campanha Pamela Smith: a artista que atravessou o tempo

Pamela Colman Smith. Se você está aqui, é bem provável que você conheça este nome como sendo a artista responsável por ilustrar o tarô Rider-Waite-Smith (RWS) — muitas vezes vergonhosamente chamado só de Rider-Waite, trazendo o nome do ocultista Arthur Edward Waite e o do editor que o publicou, mas omitindo o nome da artista.

O impacto da obra da Pamela é assombroso: tendo trabalhado com as orientações de Waite, treinado na tradição da Golden Dawn (da qual ambos eram membros, Smith tendo entrado em 1901 por via do poeta irlandês W. B. Yeats), foi da mente dela que surgiram as imagens que vemos nos arcanos menores. Sim, não foi a primeira vez que um baralho ilustrou os arcanos menores com situações pictográficas em vez dos padrões abstratos que vemos no Marselha e nos baralhos normais — o italiano Sola Busca tinha feito isso no século XV, e inclusive a imagem do 3 de espadas nele serviu de inspiração para a arte da Pamela para a mesma carta —, mas foi com ela que essas imagens como as conhecemos hoje se estabeleceram. E se você pegar qualquer outro baralho (exceto os baseados no arranjo do Thoth, ilustrado pela Frieda Harris sob orientação do Crowley… eu falo disso no meu outro texto aqui sobre escolher e começar a tirar tarô), tem altas chances de a inspiração ter saído do Rider-Waite-Smith.

Apesar disso, Pixie (como era seu apelido, por conta de seu interesse em fadas, se não me engano) morreu sem dinheiro e sem o devido reconhecimento, como infelizmente acontece muitas vezes com artistas de talento. De uns tempos para cá, no entanto, vem crescendo o interesse pela sua vida e obra — afinal, ela foi uma mulher do começo do século XX cuja identidade sexual e racial (“deliberadamente indeterminadas”, como consta em sua biografia) confrontava a normatividade dos papéis sociais do período. Mas não só isso: ela também frequentou as galerias de arte e salões, em Nova York e na Europa, na companhia de figuras ilustres do movimento sufragista e da literatura, incluindo Yeats e Bram Stoker, cujos livros ela ilustrou; apresentou performances de contos folclóricos jamaicanos (a artista passou a infância na Jamaica), também dos dois lados do Atlântico; e organizou uma editora, a Green Sheaf Press, dedicada a publicar escritoras mulheres. Dá para ver por aí o porquê de ser tão importante resgatar o legado de uma figura como a Pamela, para além do seu impacto no ocultismo contemporâneo, e um dos livros recentes publicados sobre a sua vida é Pamela Colman-Smith: Artist, Feminist & Mystic, da pesquisadora Elizabeth Foley O’Connor (originalmente publicado pela Clemson University Press, no ano passado), professora do Washington College.

Para quem tem interesse na história dessa figura e gosta de podcast, o Bobagens Imperdíveis, da Aline Valek, fez, em 2020, um episódio excelente sobre a vida da Pamela. O link é este aqui.

Sendo assim, é com muita alegria que anunciamos mais um projeto da Oficina Palimpsestus: Pamela Smith: a artista que atravessou o tempo.

Depois de trazerem para nós a obra de Austin Osman Spare e Phil Hine em português, o nome da Pamela é uma belíssima adição ao já admirável catálogo da editora. O que consta dentre as recompensas dessa campanha?

  1. A biografia de Elizabeth Foley O’Connor, sob o título em português de Pamela Colman Smith: Artista, Feminista e Mística, traduzida por Heci Regina Candiani — um nome de peso, que já verteu para o português romancistas e filósofas como Ursula K. Le Guin, Nancy Fraser, Angela Davis, Octavia E. Butler e Margaret Atwood.
  2. O volume Pamela Colman Smith: Obra Reunida, concebido por Marina Jordá e Rogério Bettoni. Nele constarão, além de textos, poemas e ilustrações da própria Pamela, incluindo Susan e a sereia e A história de Anansi, uma série de ensaios inéditos sobre a Pamela, incluindo de nomes como Alladin Collar e Mary K. Greer, autora de diversos livros sobre o tarô. Rogério Bettoni, Gabriela Mantovani e Raquel Luciana de Souza assinam a tradução.
  3. Um tarô especial, utilizando ilustrações da própria Pamela para os 22 arcanos maiores, elaborado em conjunto pela Elisa Riemer e Paula Mariá, do Nosotras Tarot.
  4. Um monte de outras recompensas diversas, incluindo marcadores de página (um em metal, aliás!), uma caixa de ilustrações, um pôster em A3, toalha e saquinho para baralho e um pingente em prata!

Para quem quer saber mais, além do podcast da Aline, eu recomendo também a live de lançamento da campanha, que pode ser vista no Instagram da Palimpsestus, neste link.

É possível apoiar a campanha adquirindo as recompensas individualmente (assim, se você quiser só o tarô, só o pôster, só um dos livros também dá para participar). A campanha ficará no ar até o dia 12/7, com previsão para envio das recompensas em novembro. Eu recomendo que se apressem, porque apesar de ter entrado no ar não faz nem uma semana, alguns lotes promocionais já acabaram!

O link no catarse é este aqui.

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